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Operação contra o ETA na França prende 5 pessoas

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Membros da polícia francesa em operação na cidade de Louhossoa, perto de Bayonne, contra a organização ETA, em 16 de dezembro de 2016. IROZ GAIZKA / STR / AFP

Uma operação policial da França e da Espanha apresentada pelas autoridades dos dois países como um "duro golpe" contra o ETA se tornou um imbróglio diante do envolvimento de personalidades da sociedade civil que disseram querer destruir armas da organização separatista basca. Em 2012, o grupo anunciou ter renunciado à violência.


Cinco pessoas, entre elas uma mulher, foram detidas na noite de sexta-feira em Louhossa, perto de Bayonne na costa sudoeste da França, segundo o ministério do Interior. O grupo teve a prisão provisória decretada e deverá ser transferido no domingo ou na segunda-feira para Paris, onde foi aberta uma investigação preliminar.

Durante a operação, uma grande quantidade de armas, explosivos e munição foi apreendida, segundo o ministério francês. Chegou a ser divulgado que o presidente de honra da Liga dos Direitos Humanos (LDH), o advogado Michel Tubiana, havia sido detido, mas a informação foi desmentida. Em entrevista à agência AFP, Tubiana disse que deveria estar no local, mas não pode comparecer.

Ele afirmou que o objetivo de um grupo de militantes da sociedade civil era "destruir armas" do ETA e encaminhá-las às autoridades. "Há um bloqueio total do processo de desarmamento do ETA, um bloqueio da parte dos governos francês e espanhol", denunciou Tubiana. Ele diz que não faziam nada escondido e afirmou que a operação policial tinha claramente um "caráter político".

Entre as cinco pessoas detidas estão o dirigente do movimento ecologista Bizi!, Jean-Noël Etcheverry, conhecido como "Txetx", Michel Berhocoirigoin, ex-presidente da Câmara de Agricultura do País Basco, Michel Bergougnian, viticultor, et dois journalistas independentes, Béatrice Haran-Molle e Stéphane Etchegaray.

A operação foi feita pela polícia francesa com o apoio da Guarda Civil espanhola. Para Madri, a "Guarda Civil deu um golpe no arsenal do grupo terrorista ETA na França".

Em entrevista coletiva na manhã deste sábado, o ministro francês do Interior, Bruno Le Roux, afirmou que a operação é um "novo golpe duro contra o ETA" e justificou as detenções. "Ninguém tem o direito de se autopoclamar destruidor de armas e eventualmente de provas. Por que destruir armas se eles serviram para cometer graves delitos, talvez até mesmo atentados?", questionou.

Manifestação convocada em Bayonne

O movimento nacionalista basco apresentou uma outra versão para os fatos. Em uma carta datada de 25 de outubro e publicada na noite de sexta-feira no site Mediadesk, o advogado Tubiana, Txetx e Michel Berhocoirigoin afirmaram ter decidido "proceder à destruição de um primeiro estoque de armas" para contribuir com um "futuro sem violência e democrático para o País Basco". Eles indicaram que o estoque corresponderia a cerca de 15% do arsenal do ETA.

Diversos movimentos nacionalistas acusaram as polícias francesa e espanhola de impedirem a destruição das armas" e convocaram uma manifestação para a tarde deste sábado em Bayonne.

No dia 12 de outubro um importante esconderijo de armas do ETA foi descoberto na floresta de Compiègne, norte do país. No dia 5 de novembro, um dos últimos líderes do grupo, Mikel Irastorza, foi preso perto de Bayonne e no dia 14 de dezembro um outro integrante da organização foi detido em Marselha, no sul do país.

De acordo com as autoridades francesas e espanholas, o ETA, movimento nascido em 1959 durante a luta contra a ditadura franquista, cometeu atentados que resultaram na morte de 829 pessoas. Em outubro de 2011 o grupo renunciou à violência, mas não entregou suas armas e recusa destruí-las. o ETA quer negociar o futuro de 400 membros detidos na França e na Espanha, mas as autoridades desses dois países recusam.