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Gigante mundial dos óculos nasce com fusão entre Luxottica e Essilor

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A italiana Luxottica, maior fabricante mundial de óculos de luxo se une com a francesa Essilor, líder de lentes oftálmicas. REUTERS/Alessandro Bianchi/File Photo TPX IMAGES OF THE DAY

A italiana Luxottica, principal fornecedora de armações de óculos para marcas de luxo, e a francesa Essilor, líder na fabricação de lentes oftálmicas, anunciaram nesta segunda-feira (16) uma fusão que vai criar a maior empresa do setor no mundo. A nova entidade, que será sediada nos arredores de Paris, deve gerar um faturamento de mais de €15 bilhões.


Após seis meses de discussões secretas, os contratos foram assinados em Paris, dando origem a um novo grupo, batizado EssilorLuxottica. Juntas, as duas empresas – que já haviam tentado uma fusão em 2013 – reúnem 140 mil funcionários pelo mundo e passam a pesar € 50 bilhões no mercado financeiro. A presidência ficará nas mãos de Leonardo Del Vecchio, fundador da Luxottica, de 81 anos, e a vice-presidência com Hubert Sagnières, 61 anos, atual chefe da Essilor.

A fusão, que será totalmente concretizada até o final de 2017, é a reunião de duas empresas de um setor que não para de crescer. Segundo Essilor, o mercado ótico no mundo (óculos, lentes oftálmicas e lentes de contato) representa cerca de € 95 bilhões. Além disso, mais de 2,5 bilhões de pessoas, principalmente nos países emergentes, sofrem de algum problema de visão que ainda não foi corrigido, o que mostra o potencial de evolução dos negócios.

No Brasil, a Essilor possui fábricas em Manaus – uma das maiores do grupo – e em Tupã, no interior de São Paulo. Já a Luxottica está presente em 130 países, inclusive no território brasileiro. O novo grupo não informou se a fusão vai resultar em cortes de pessoal.

Monopólio

No entanto, o projeto pode esbarrar nas autoridades de Bruxelas, que controlam a concorrência, pois o grupo se tornaria o fornecedor hegemônico das óticas do planeta. Pois pouca gente sabe, mas a maioria das armações de óculos das grandes marcas de luxo, como Chanel, Prada, Burberry ou Versace, saem das fábricas da Luxottica. Sem esquecer Oakley, Persol, ou ainda Ray-Ban, número um mundial dos modelos solares, que também pertencem ao grupo italiano.

Graças ao sistema de licenças concedidas pelas grifes, a empresa é responsável pela fabricação e até mesmo pela concepção de boa parte do que se vende nesse segmento do mercado. Já do lado da Essilor, a francesa, por trás de marcas de lentes oftálmicas e solares como Varilux, Crizal e Transitions, é a principal fornecedora das óticas no ocidente, e chegou a ser acusada algumas vezes de monopólio no setor.

A fusão preocupa as óticas independentes, que não pertencem a grandes grupos e temem que o gigante do setor imponha ainda mais seus produtos. Aqueles que vendiam armações fabricadas pela Luxottica, mas conseguiam lucrar com as lentes oftálmicas, receiam que o novo grupo comece a fornecer “combos” armação-lente com preço imbatível.

Já os artesãos e pequenos fabricantes, principalmente em regiões como no Jurá, no leste da França, esperam conseguir se manter no mercado, propondo produtos de nicho, diferenciados, com materiais e acabamentos difíceis de comercializar seguindo os volumes praticados pela EssilorLuxottica.