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Espanha Corrupção Família Real

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Justiça absolve infanta Cristina da Espanha, mas condena marido por corrupção

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Infanta Cristina da Espanha chega ao tribunal com o marido, Inaki Urdangarin, na cidade de Palma de Mallorca, em janeiro de 2016. REUTERS/Marcelo del Pozo

A infanta Cristina de Borbón, irmã do rei da Espanha, Felipe VI, foi absolvida nesta sexta-feira (17), mas seu marido, Iñaki Urdangarín, foi condenado a seis anos e três meses de prisão. Eles foram julgados por fraudes fiscais e desvio de verbas públicas.


A infanta Cristina se declarou "satisfeita" em relação à sua absolvição, mas "triste" com a condenação do marido, uma decisão que ela considera "injusta", pois sempre acreditou "em sua inocência".

O tribunal de Palma de Mallorca, nas Ilhas Baleares, absolveu a infanta Cristina como cúmplice de fraude fiscal. Ele deverá, no entanto, pagar uma multa de € 265 mil (cerca de R$ 800 mil), por sua responsabilidade civil como beneficiária dos lucros obtidos por seu marido.

Família Real Espanhola

Na Casa Real, que afastou a infanta dos atos oficiais depois da explosão do escândalo, um porta-voz limitou-se expressar "o máximo respeito pela independência do Poder Judiciário". Nenhum membro da Família Real Espanhola comentou a decisão em público.

Em janeiro de 2016, a Infanta Cristina de Borbón se tornou o primeiro membro da família real espanhola a comparecer perante um tribunal.

O casal, antes considerado exemplar e moderno, foi afastado dos atos oficiais da Casa Real e, inclusive, perdeu o título de duques de Palma, retirado do rei Felipe VI em 2015.

Corrupção na corte

Cristina, filha do meio do rei Juan Carlo I, fazia parte da diretoria do Instituto Nóos e era proprietária, junto com seu marido, da empresa Aizoon, em cuja conta corrente parte do dinheiro captado pelo Nóos era desviado.

A Justiça espanhola condenou Urdangarín por ter roubado, junto com seu ex-sócio, milhões de euros dos cofres públicos entre 2004 e 2006, através de uma fundação presidida por ele. Ele foi considerado culpado por improbidade administrativa, prevaricação, fraude administrativa, tráfico de influência e fraude fiscal. Além dos seis anos e três meses de prisão, deverá pagar uma multa de € 512 mil.

Os juízes foram menos severos que a Promotoria, que havia pedido 19 anos e seis meses de prisão para Urdangarín, casado desde 1997 com Cristina de Borbón e pai de seus quatro filhos.

A sentença ainda cabe recurso ante o Supremo Tribunal, mas põe fim a uma longa novela iniciada no final de 2011 e que fez tremer a monarquia espanhola, resultando na abdicação de Juan Carlos, em junho de 2014.