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Em 4 dias, 850 migrantes entraram na Espanha pela cerca de Ceuta

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Migrante que cruzou cerca se enrola na bandeira espanhola REUTERS/Jesus Moron

Em quatro dias, mais de 850 migrantes africanos conseguiram entrar na Espanha cruzando a cerca entre o Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em um contexto de tensão entre a União Europeia (UE) e o governo marroquino.


"Na madrugada desta segunda-feira (20), cerca de 600 subsaarianos tentaram entrar en Ceuta, e 359 conseguiram", disse, em um comunicado, a delegação do governo espanhol na cidade. "Eles entraram rompendo as portas de acesso com tesouras industriais e martelos. Não precisaram saltar a cerca de 6 m de altura."

A invasão ocorreu em uma zona difícil de controlar. Na sexta-feira (17), quase 500 migrantes entraram na Espanha pelo mesmo local. Segundo Isabel Brasero, porta-voz da Cruz Vermelha em Ceuta, desta vez não houve feridos graves. "Levamos 11 pessoas ao hospital: oito necessitavam suturas e três radiografias", disse. Já a delegação do governo informou que dois guardas civis e um migrante ficaram feridos.

Os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, no norte da África, são as únicas fronteiras terrestres entre o continente africano e a União Europeia. O controle fronteiriço é realizado em conjunto pela Espanha e pelo Marrocos.

Disputa entre Marrocos e UE

Mas as relações entre Marrocos e a União Europeia não passam por um bom momento. O país africano tem lançado ameaças de relaxamento do controle migratório. O motivo da disputa são as diferentes interpretações do acordo de livre comércio sobre os produtos agrícolas e pesqueiros.

No final de 2016, o Tribunal de Justiça da UE estimou que, no Saara Ocidental, antiga colônia espanhola controlada pelo Marrocos, esse acordo não era aplicável, tendo em conta o estatuto separado e distinto desse território em relação ao Marrocos, reconhecido pelas Nações Unidas.

Desde então, associações que apoiam a Frente Polisário, que reclama a independência do Saara Ocidental, protestam contra várias operações comerciais entre o Marrocos e os países europeus que afetam os produtos chegados do Saara.

O ministério marroquino de Agricultura, Aziz Akhannouch, advertiu no dia 6 de fevereiro que a Europa se expunha a um "verdadeiro risco de reativação dos fluxos migratórios que o Marrocos tem conseguido conter devido a um esforço contínuo”. "Agora falta que as coisas sejam claras e sinceras sobre o futuro que queremos desenvolver entre o Marrocos e a UE", disse.