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Parlamento Europeu Marine Le Pen Extrema-Direita imunidade

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Parlamento europeu retira imunidade da candidata da extrema-direita Marine Le Pen

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O Parlamento Europeu retirou nesta quinta-feira (2) a imunidade parlamentar da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen. REUTERS/Yves Herman/File photo

O Parlamento Europeu retirou nesta quinta-feira (2) a imunidade parlamentar da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, candidata às eleições presidenciais de 2017 e favorita ao primeiro turno do pleito.


O pedido havia sido feito pela Justiça francesa, que a investiga por ter publicado no Twitter, em dezembro de 2015, imagens de atrocidades cometidas pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Convocada em abril de 2016, Marine Le Pen havia se recusado a comparecer diante da Justiça, alegando imunidade parlamentar. O efeito agora é imediato, mas não envolve o inquérito sobre suspeitas de empregos fictícios de assistentes de seu partido, a Frente Nacional, no Parlamento Europeu.

A retirada da imunidade foi solicitada pela Procuradoria de Nanterre, na região parisiense, que abriu o processo judicial contra Marine Le Pen por difundir cenas violentas. Em dezembro de 2015, ela publicou três imagens no Twitter, em resposta a um jornalista que estabeleceu um paralelo entre seu partido e o grupo extremista Estado Islâmico.

Nelas apareciam um homem com uniforme laranja debaixo de um tanque, um homem vestido da mesma maneira e com o corpo em chamas em uma jaula e o corpo de um homem decapitado, o jornalista britânico James Foley. Na legenda: "Daesh é isso!", escreveu, utilizando o nome em árabe do grupo Estado Islâmico.

Marine Le Pen retirou a foto de James Foley a pedido da família do jornalista, que se disse "profundamente chocada" com a publicação. As duas outras imagens seguem em seu Twitter. "Eu publiquei duas, três fotos dos horrores do Daesh e disse o 'Daesh é isso'. Eu denunciei este horror", disse Marine Le Pen nesta quinta-feira de manhã no canal de televisão LCP e na rádio France Bleu, antes da votação sobre a retirada da sua imunidade em plenário. "Sou deputada e estou cumprindo o meu papel quando denuncio o Daesh", acrescentou, criticando o que chamou de "uma investigação política".

Processo durou quase cinco meses

De acordo com o Parlamento Europeu, 15 pedidos de retirada de imunidade foram analisados em 2016 pelos deputados. Cada análise levou de quatro a oito meses, dependendo do caso. A demanda contra Le Pen foi apresentada em 5 de outubro de 2016, tendo o processo durado quase cinco meses.

Uma investigação criminal foi aberta contra o deputado da FN Gilbert Collard, que também havia tuitado uma imagem violenta, usando a mesma justificativa que Marine Le Pen. Mas o escritório da Assembleia Nacional francesa rejeitou em 22 de fevereiro um pedido de retirada da sua imunidade, considerando o pedido da justiça "insuficientemente preciso".