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União Europeia Terrorismo Roma

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Medo de atentados em Roma marca aniversário de 60 anos da União Europeia

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Polícia foi mobilizada nos principais pontos de Roma, como no Coliseu, para a celebração dos 60 anos da União Europeia. REUTERS/Remo Casilli

Os países da União Europeia (UE) celebram neste sábado (25) os 60 anos do Tratado de Roma, que marca a criação do bloco. Diante do risco de atentados, as comemorações oficiais na capital italiana, que contam com a presença dos líderes dos países do grupo, são marcadas por um forte esquema de segurança.


As autoridades de Roma blindaram a capital para receber os representantes europeus. Em uma reunião especial, o ministério do Interior italiano tomou uma série de medidas extraordinárias e ordenou a mobilização de franco-atiradores por toda a cidade, além de instalar câmeras de vigilância em monumentos e zonas consideradas sensíveis.

A parte histórica da Cidade Eterna estará literalmente fechada para receber também os quatro protestos previstos, contra e a favor da UE, que devem reunir cerca de 30 mil pessoas. Duas manifestações deverão terminar no Coliseu, região vigiada e controlada há vários dias.

Três mil policiais foram mobilizados ao redor da sede da prefeitura de Roma, onde serão realizadas as celebrações e onde o tratado foi assinado, há 60 anos, criando a Comunidade Econômica Europeia (CEE), antecessora e semente da UE. O nível de controle é tão alto que as autoridades proibiram no sábado caminhar pelo centro da cidade com o rosto coberto por lenços ou capacetes.

Drones, tanques e fechamento do espaço aéreo

Um dos objetivos é impedir que os grupos de "black blocs", muitos deles vindos da Alemanha, Grécia e França, e que se distinguem por criar violência e destruição. As autoridades também temem a ação dos chamados "antagonistas", contrários à política da UE.

Tanques do exército foram estacionados em meio à grande avenida que conduz ao Coliseu para impedir ataques contra a multidão com automóveis, como ocorreu em Londres e Nice. O espaço aéreo permanecerá fechado por várias horas e drones sobrevoarão e controlarão a capital, por disposição do ministério do Interior. Comerciantes prometeram fechar suas portas e algumas estações de metrô estarão inacessíveis.

Os controles de segurança também foram reforçados nas estradas, estações de trem e principais aeroportos italianos. Desde o funeral do papa João Paulo II, em 2005, a capital italiana não havia adotado medidas de segurança tão extremas.

O dispositivo já entrou em vigor a partir desta sexta-feira (24) quando o papa Francisco recebeu no Vaticano os 27 líderes europeus.

Papa Francisco alerta para instabilidade da União Europeia

Diante dos chefes de Estado e de governo do bloco, o sumo pontífice alertou para a instabilidade da UE. "Todo corpo que perde o senso de seu caminho, todo corpo que abandona esse olhar para frente, sofre primeiro uma regressão e finalmente corre o risco de morrer", disse o papa Francisco na imponente Sala Régia do palácio apostólico.

O primeiro Papa não europeu, que recebeu em maio de 2016 o prêmio Carlos Magno por seu compromisso pela unificação europeia, tem sido muito crítico com a velha Europa, continente que chegou a qualificar de "cansado" e que acusou de negar suas próprias raízes. Em várias ocasiões, o sumo pontífice manifestou seu desejo de que a Europa seja uma "terra de acolhida", que seja contra a xenofobia, e considerou os imigrantes como sendo "novos europeus", um dos assuntos prioritários do seu pontificado.

"A Europa volta a encontrar esperança na solidariedade, que também é o antídoto mais eficaz contra os modernos populismos", destacou o pontífice. "Os populismos florescem devido ao egoísmo", acrescentou, depois de mencionar as políticas contra a imigração, tema que gera tensões e divisões dentro da UE.