rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
  • Ator Roger Moore, que foi 007, morre aos 89 anos
  • Grupo Estado Islâmico reivindica atentado em Manchester
Linha Direta
rss itunes

Reino Unido quer concluir Brexit até outubro de 2018

Nove meses depois do referendo pelo qual os britânicos decidiram que o Reino Unido deve sair da União Europeia, o governo do país dá o primeiro passo para formalizar o processo. Nesta quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk, recebe em mãos uma carta assinada pela primeira-ministra britânica Theresa May, na qual o país invoca o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, oficializando seu desejo de abandonar o bloco, depois de 44 anos. Os dois lados partem agora para intensas negociações sobre o futuro do país, que devem durar até dois anos.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O Reino Unido continua tão dividido quanto estava em 23 de junho do ano passado, quando foi às urnas para decidir se o país deveria permanecer ou deixar a União Europeia. Por uma ligeira margem, de 52% a 48%, a saída – o Brexit – acabou prevalecendo.

Essa ainda é a sensação que se tem nas várias esferas da sociedade britânica: de um lado aqueles que acreditam que a partir de agora, o Reino Unido se livra das amarras do bloco europeu para criar um futuro de mais soberania, mais poder e menos imigrantes; do outro, os que temem que com o Brexit, o país esteja simplesmente dando um passo de olhos fechados em direção a um abismo.

No último sábado, milhares de pessoas foram às ruas de Londres para manifestar sua insatisfação com o Brexit e para pedir que o Reino Unido tente formar uma aliança mais amistosa com a União Europeia. Mas os chamados Brexiteers, aqueles que defendem a saída, pressionam para que o governo não ceda às exigências europeias e mantenha a promessa de impor mais barreiras à imigração, por exemplo.

No discurso que Theresa May pronuncia nesta quarta-feira (29) no Parlamento, ela faz um apelo para que os britânicos esqueçam as diferenças e se unam neste momento histórico para o país. May promete que, quando se sentar para negociar os termos do Brexit com os líderes da União Europeia, vai estar representando os interesses de todos os britânicos e também dos cidadãos europeus que vivem na Grã-Bretanha.

As imprevisíveis consequências econômicas

Desde os primeiros dias após o referendo, surgem notícias de que bancos e grandes multinacionais vão transferir suas operações para outros países da União Europeia, diante das incertezas sobre como o Reino Unido vai mudar a legislação, a taxação e outros aspectos que hoje tornam os negócios internacionais viáveis no país. Entre essas empresas estariam, por exemplo, a Microsoft, a Toshiba, as montadoras Honda e Toyota, e os bancos HBSC e UBS.

Mas os números mostram que, pelo menos até agora e de modo geral, a economia do Reino Unido resistiu melhor ao resultado do referendo do que muitos analistas esperavam. O PIB cresceu 0,7% no último trimestre de 2016 – um pouco mais do que o previsto anteriormente. A libra, que caiu dramaticamente logo após o referendo, se estabilizou, ainda que a um valor cerca de 15% menor diante do dólar e do euro do que antes do referendo.

Por outro lado, as ações das empresas que operam na Bolsa de Londres aumentaram de 11% a 16%, em comparação com o período antes do referendo. O desemprego continua caindo e os salários continuam aumentando acima da inflação. De qualquer modo, muitos analistas acreditam que esses números podem começar a mudar quando ficarem claros os termos da saída do Reino Unido do bloco europeu.

O calendário da separação

Daqui a um mês, os líderes dos 27 países da União Europeia, sem o Reino Unido, devem concordar em dar um mandato para a Comissão Europeia começar a negociar os termos para o Brexit. Em maio, a Comissão Europeia deve divulgar as diretrizes para essa negociação, esperada para ter início entre maio e junho. Theresa May disse que pretende concluir o processo todo em outubro do ano que vem, para dar tempo de o Parlamento britânico, o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu debaterem e aprovarem tudo o que for negociado sobre as condições em que o Reino Unido deve deixar a União Europeia.

Em Israel, Trump tenta reativar diálogos de paz entre palestinos e israelenses

Cada vez mais acuado, Trump será investigado e impeachment não está descartado

Novos protestos contra reformas Trabalhista e da Previdência marcam 1° de maio no Brasil

As promessas não cumpridas nos 100 primeiros dias de administração Trump

Coreia do Norte usa munição real em manobra visando ataque de longo alcance