rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Reino Unido quer concluir Brexit até outubro de 2018

Nove meses depois do referendo pelo qual os britânicos decidiram que o Reino Unido deve sair da União Europeia, o governo do país dá o primeiro passo para formalizar o processo. Nesta quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk, recebe em mãos uma carta assinada pela primeira-ministra britânica Theresa May, na qual o país invoca o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, oficializando seu desejo de abandonar o bloco, depois de 44 anos. Os dois lados partem agora para intensas negociações sobre o futuro do país, que devem durar até dois anos.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O Reino Unido continua tão dividido quanto estava em 23 de junho do ano passado, quando foi às urnas para decidir se o país deveria permanecer ou deixar a União Europeia. Por uma ligeira margem, de 52% a 48%, a saída – o Brexit – acabou prevalecendo.

Essa ainda é a sensação que se tem nas várias esferas da sociedade britânica: de um lado aqueles que acreditam que a partir de agora, o Reino Unido se livra das amarras do bloco europeu para criar um futuro de mais soberania, mais poder e menos imigrantes; do outro, os que temem que com o Brexit, o país esteja simplesmente dando um passo de olhos fechados em direção a um abismo.

No último sábado, milhares de pessoas foram às ruas de Londres para manifestar sua insatisfação com o Brexit e para pedir que o Reino Unido tente formar uma aliança mais amistosa com a União Europeia. Mas os chamados Brexiteers, aqueles que defendem a saída, pressionam para que o governo não ceda às exigências europeias e mantenha a promessa de impor mais barreiras à imigração, por exemplo.

No discurso que Theresa May pronuncia nesta quarta-feira (29) no Parlamento, ela faz um apelo para que os britânicos esqueçam as diferenças e se unam neste momento histórico para o país. May promete que, quando se sentar para negociar os termos do Brexit com os líderes da União Europeia, vai estar representando os interesses de todos os britânicos e também dos cidadãos europeus que vivem na Grã-Bretanha.

As imprevisíveis consequências econômicas

Desde os primeiros dias após o referendo, surgem notícias de que bancos e grandes multinacionais vão transferir suas operações para outros países da União Europeia, diante das incertezas sobre como o Reino Unido vai mudar a legislação, a taxação e outros aspectos que hoje tornam os negócios internacionais viáveis no país. Entre essas empresas estariam, por exemplo, a Microsoft, a Toshiba, as montadoras Honda e Toyota, e os bancos HBSC e UBS.

Mas os números mostram que, pelo menos até agora e de modo geral, a economia do Reino Unido resistiu melhor ao resultado do referendo do que muitos analistas esperavam. O PIB cresceu 0,7% no último trimestre de 2016 – um pouco mais do que o previsto anteriormente. A libra, que caiu dramaticamente logo após o referendo, se estabilizou, ainda que a um valor cerca de 15% menor diante do dólar e do euro do que antes do referendo.

Por outro lado, as ações das empresas que operam na Bolsa de Londres aumentaram de 11% a 16%, em comparação com o período antes do referendo. O desemprego continua caindo e os salários continuam aumentando acima da inflação. De qualquer modo, muitos analistas acreditam que esses números podem começar a mudar quando ficarem claros os termos da saída do Reino Unido do bloco europeu.

O calendário da separação

Daqui a um mês, os líderes dos 27 países da União Europeia, sem o Reino Unido, devem concordar em dar um mandato para a Comissão Europeia começar a negociar os termos para o Brexit. Em maio, a Comissão Europeia deve divulgar as diretrizes para essa negociação, esperada para ter início entre maio e junho. Theresa May disse que pretende concluir o processo todo em outubro do ano que vem, para dar tempo de o Parlamento britânico, o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu debaterem e aprovarem tudo o que for negociado sobre as condições em que o Reino Unido deve deixar a União Europeia.

Mais de 30 mulheres já denunciaram Harvey Weinstein, caso não é isolado

Mais de cem investigadores tentam desvendar mistério do atirador de Las Vegas

Referendo na Catalunha é o maior desafio separatista da história da União Europeia

Aumento do antissemitismo e ascensão da extrema-direita na Alemanha preocupam Israel

Críticas de Trump a atletas visava desviar atenção de fracasso em revogar Obamacare

Força da extrema-direita foi o principal choque da eleição na Alemanha

Oposição aposta em conflito com Maia para barrar Temer em 2ª denúncia