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Grécia Economia Zona do Euro FMI Crise financeira

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Grécia aceita sacrifícios para obter nova parcela de ajuda

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O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras REUTERS/Michalis Karagiannis

Nesta sexta-feira (7), a Grécia aceitou as reformas propostas por seus credores para chegar a um acordo sobre a segunda revisão do atual programa de resgate. O país poderá desbloquear a nova parcela de ajuda antes de um pagamento previsto em julho.  


"A boa notícia é que hoje resolvemos os grandes problemas que tínhamos sobre as reformas a realizar", declarou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, durante uma coletiva de imprensa após uma reunião com 19 ministros das Finanças da Zona do Euro. O comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, saudou esse "acordo de princípio após vários meses de negociações difíceis". "Chegou o momento de pôr fim à incerteza sobre a economia grega", acrescentou.

O bloqueio de meses nas negociações entre Atenas e seus credores - os países da Zona do Euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI)- impediam um abono de uma nova parcela de ajuda do terceiro programa de resgate de 86 bilhões de euros  acordado com a Grécia e vigente até 2018.

Para poder desbloquear esses novos fundos, que precisa para poder enfrentar o pagamento de mais de 7 bilhões de euros a seus credores em julho, o governo grego se comprometeu a aplicar algumas medidas econômicas em 2019 e 2020.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, pressionou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em viagem a Atenas. Ele afirmou que se nenhum acordo fosse fechado, convocaria uma cúpula da Zona do Euro para ter o empréstimo desbloqueado. Funcionou.

O povo grego tem manifestado seu desacordo em greves e manifestações contra as reformas que afetam seus direitos.

Sacrifícios atingem pensões e aumentam impostos

O executivo grego está disposto agora a realizar cortes adicionais nas pensões em 2019 e aumentar os impostos em 2020, afirmou Dijsselbloem, que pediu para que se chegue rapidamente a um acordo final.

As previsões de Bruxelas sobre um eventual retorno da economia grega ao caminho do crescimento com 0,3% em 2016 foram desmentidas no começo de março pela autoridade grega de estatísticas, que anunciou uma expansão nula no ano passado segundo sua primeira estimativa. O ministro grego das Finanças, Euclides Tsakalotos, prometeu que o parlamento grego, onde o executivo liderado pelo partido de esquerda Syriza tem estreita maioria, examinará o mais rápido possível as reformas com as quais Atenas se comprometeu para 2019 e 2020.

Tsakalotos ressaltou que os credores tinham aceitado que se os gregos conseguirem atingir às metas orçamentárias solicitadas, Atenas poderá aumentar os partidos sociais. A espinhosa questão de uma eventual redução da elevada dívida grega deve se solucionar antes do verão.

Neste sentido, o ministro das Finanças grego pediu para avançar nesse assunto para impedir o retorno da incerteza, já que "ninguém quer a volta da crise grega", referindo-se  à situação vivida em meados de 2015, quando o país esteve a ponto de sair da Zona do Euro.

 

A questão da dívida divide também os credores do país do sul da Europa. O FMI, que desempenhou um papel importante nos primeiros planos de resgate e que atua agora como conselheiro técnico, aposta em uma redução sustancial da dívida. Essa expectativa vai de encontro à rejeição da Alemanha, principal credor, que insiste que o FMI participe financeiramente no atual programa de resgate. O FMI destacou nesta sexta-feira, em um comunicado, a necessidade de abordar com os europeus uma "estratégia concreta" de alívio da dívida, antes de participar economicamente no plano de ajuda. A questão deve entrar na pauta da reunião anual do FMI no final de abril.

Após anos de resgates financeiros concedidos em troca de duras reformas, a Grécia registra o maior número de desempregados da Zona do Euro com 23,1% (dados de dezembro), longe da média situada em 9,5%, e sua dívida chega a 176,9% do PIB, cerca de 311 bilhões de euros.