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Theresa May Eleições Brexit

Publicado em • Modificado em

Primeira-ministra britânica pede eleições antecipadas

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Theresa May pediu eleições antecipadas REUTERS/Toby Melville

A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta terça-feira (18), de modo surpreendente, a convocação de eleições legislativas antecipadas para 8 de junho para facilitar as negociações de saída da União Europeia (UE).


"Precisamos de uma eleição geral e precisamos dela agora", disse a premiê, que precisa da aprovação do Parlamento para convocar a eleição antecipada. Seu partido é o favorito nas pesquisas.

May, que até agora havia rejeitado os pedidos de seu partido para aproveitar a vantagem nas pesquisas e antecipar as eleições, disse que tomou a decisão com relutância, mas que ela era necessária para "garantir a liderança forte e segura" nos dois anos de negociações com Bruxelas.

O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, expressou rapidamente apoio ao pedido da primeira-ministra, o que abre o caminho para a aprovação da medida no Parlamento.

"Eu saúdo a decisão da primeira-ministra de dar ao povo britânico a oportunidade de votar por um governo que dê prioridade aos interesses da maioria", afirma em um comunicado. "O Partido Trabalhista oferecerá ao país uma alternativa efetiva ao governo."

Mas a terceira força parlamentar, os separatistas escoceses do SNP (Partido Nacional Escocês), criticou a convocação.

Os conservadores, afirmou a chefe de governo regional escocês, Nicola Sturgeon, "veem a oportunidade de escorar o Reino Unido à direita, impor um Brexit duro e mais cortes sociais".

May busca a legimitidade

Theresa May era ministra do Interior e chegou a Downing Street após a renúncia de David Cameron, em junho de 2016, e graças a sua vitória em uma votação interna do Partido Conservador, mas sua liderança não havia sido referendada pelas urnas.

Porém sua popularidade supera com folga - até 20 pontos em algumas pesquisas - a do líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn.

Caso o pleito seja confirmado, essas serão as segundas eleições gerais britânicas em dois anos, após a votação de maio de 2015, com o referendo sobre a saída da UE no meio.

May iniciou formalmente o processo do Brexit em 22 de março, nove meses depois do referendo. As negociações devem durar 24 meses para encerrar os 44 anos de relação entre o Reino Unido e a União Europeia.

Os conservadores contam com uma estreita maioria absoluta no Parlamento, de cinco deputados (330 dos 650), mas não estão unidos na questão europeia. Cada votação exige a apresentação de garantias a essa minoria rebelde.

Dessa maneira, May justificou sua decisão pela necessidade de contar com um Parlamento que respalde sua estratégia no Brexit.

"País está se unindo"

"O país está se unindo, mas Westminster não", disse, em referência ao Parlamento. Tal divisão "coloca em perigo nossas possibilidades de êxito". Segundo ela, "a oposição acredita que, como a maioria do governo é pequena, a sua determinação vai fraquejar. "Estão equivocados."

"Subestimam nossa decisão de fazer o trabalho e não estou preparada para colocar em perigo a segurança de milhões de trabalhadores em todo o país", completou, antes de acusar a oposição de "colocar em risco o trabalho que temos que fazer para preparar o Brexit".

A UE indicou que não vai alterar seus planos para as negociações. "As eleições britânicas não modificam os planos da UE a 27", disse Preben Aamann, porta-voz do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, antes de reiterar que o passo seguinte é a reunião de líderes em 29 de abril para adotar as grandes linhas de negociação do Brexit.