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Trump quer saber quem vai pagar a conta da Otan

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarca nesta quarta-feira (24) em Bruxelas para se reunir com altos representantes da União Europeia e Otan. Esta é a primeira visita oficial de Trump à cidade que chamou de “lugar dos infernos”, após os atentados terroristas do ano passado.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

Um dos destaques desta primeira viagem internacional do presidente americano Donald Trump será a cúpula da Otan, sem dúvida, o ponto alto da visita do bilionário à Bruxelas. A reunião, que acontece nesta quinta-feira (25), vai discutir os gastos militares da Europa, ou seja, a divisão do peso das despesas com a defesa da aliança entre os aliados.

Durante toda sua campanha presidencial, Donald Trump criticou ferozmente a estrutura da Otan, colocou o rótulo de “obsoleta” e reclamou da falta de engajamento da organização na luta contra o terrorismo. No mês passado, quando se reuniu em Washington com o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, Trump reavaliou sua postura e disse que a Otan não era mais obsoleta.

Mas a declaração não é suficiente para assegurar os ânimos na nova sede da organização. Ninguém sabe o que Trump vai falar. Todos receiam, até mesmo na administração americana, qual será a reação deste líder impulsivo. Alguns países integrantes da aliança militar haviam prometido aumentar suas contribuições financeiras bem antes do republicano entrar na Casa Branca.

Donald Trump, com sua política externa isolacionista, quer que a Alemanha assuma um papel de mais liderança na Europa. Vale lembrar que a Otan é, desde 1950, um pilar das defesas do continente europeu. O tratado fundador da aliança prevê que um ataque em um dos países aliados é considerado um ataque a todos.

Nova divisão de gastos militares da Otan

Em 2014, os aliados da Otan assumiram o compromisso de gastar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) com despesas militares. A Alemanha prometeu que, na metade da década de 2020, seus gastos irão atingir a meta da aliança.

De acordo com o último relatório da Otan, apenas 5 países da organização conseguiram chegar ou ultrapassar a meta de 2014: os Estados Unidos (3,61%), Grécia (2,36%), Estônia (2,18%), Reino Unido (2,17%) e Polônia (2,01%). Hoje, a Alemanha gasta menos de 1,2% de seu PIB com defesa.

Em março passado, no dia seguinte à sua primeira reunião com a chanceler Angela Merkel em Washington, Trump declarou em seu perfil no Twitter que a Alemanha devia grandes somas de dinheiro à Otan e que os Estados Unidos deveriam receber mais pela poderosa defesa prestada aos alemães. A Alemanha negou a acusação e afirmou que não há registro de dívidas com a aliança militar.

Recentemente, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, reiterou a mensagem de Trump que “já não é sustentável para os EUA continuarem com seus gastos de defesa desproporcionais em relação à Otan”.

Programação de Trump em Bruxelas

Acostumada a receber chefes de Estado e governo, Bruxelas reforçou o esquema de segurança para receber o presidente americano, sua esposa Melania e comitiva de mil pessoas. Várias áreas da cidade estão com acesso limitado e algumas completamente isoladas.

Durante as 24 horas que ficar em solo belga, Donald Trump terá uma agenda bastante apertada. Após sua chegada, prevista para o fim da tarde desta quarta-feira, no aeroporto militar de Melsbroek, Trump será recebido no Palácio Real pelos reis Philippe e Mathilde da Bélgica. Em seguida, deve se encontrar com o primeiro-ministro belga Charles Michel.

Na quinta-feira (25), segundo e último dia da visita relâmpago, Trump se reunirá com os presidentes do Conselho Europeu e Comissão Europeia, Donald Tusk e Jean-Claude Juncker, além do presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani e da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. Logo depois, Donald Trump terá um almoço de trabalho com o recém-eleito presidente da França, Emmanuel Macron, em local não revelado.

Na parte da tarde, Trump abrirá a cerimônia de inauguração da nova sede da Otan, e antes de partir para o encontro do G7 na Itália, participará da Cúpula que reunirá os 28 chefes de Estado e governo da aliança atlântica.

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