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“Não é filme de terror, é tragédia”, diz resgate de migrantes no Mediterrâneo

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"Não é cena de filme de terror, é uma verdadeira tragédia que acontece hoje às portas da Europa", tuitou o fundador de uma das ONGs de resgate, e postou a foto acima no Twitter, em 24 de maio de 2017. Reprodução Twitter

Dezenas de migrantes, incluindo crianças, morreram afogados nesta quarta-feira (24) após caírem de um barco superlotado perto da costa da Líbia, onde a tensão aumenta entre as ONGs e a Guarda Costeira local.


A Guarda Costeira italiana, que coordena as operações de resgate nesta área, fala em 34 cadáveres, incluindo uma dezena de crianças. A maior parte foi resgatada pelo "Phoenix", fretado pela ONG Moas, cujo fundador, Chris Catrambone, que estava a bordo, publicou no Twitter fotografias de migrantes que pediam ajuda na água e de sacos mortuários empilhados na embarcação.

Os migrantes faziam parte de um grupo de entre 500 e 700 pessoas que lotavam uma embarcação precária de madeira que navegava a cerca de 20 milhas náuticas da costa de Zuara, 100 km a oeste de Trípoli. Quando as equipes do "Phoenix" começaram a intervir e distribuir coletes salva-vidas, alguns dos migrantes que estavam no convés caíram na água, talvez em razão de uma onda.

"Não é cena de filme de terror, é uma verdadeira tragédia que acontece hoje às portas da Europa", tuitou Catrambone.

“Forçar o trinco do porão”

Com a ajuda de um barco de patrulha da Guarda Costeira italiana e de vários navios comerciais, os socorristas tentaram salvar tantas pessoas quanto possível, enquanto um helicóptero e um avião militar lançavam botes salva-vidas. Os socorristas também tiveram que forçar o trinco para resgatar centenas de migrantes que estavam amontoados no porão da embarcação.

Na Itália, os migrantes que chegaram na segunda-feira após serem resgatados em frente à costa líbia relataram que na sexta-feira encontraram um bote esvaziado com quatro sobreviventes a bordo, observando que havia mais de 150 desaparecidos.

O drama se une às recentes tragédias que provocaram ao menos 1.254 mortes ou desaparecimentos no Mediterrâneo, segundo um balanço da Organização Internacional para as Migrações (OIM), enquanto mais de 50.000 migrantes desembarcaram na Itália este ano.

Nesta quarta-feira, 15 operações de resgate estavam em curso perto da Líbia, segundo a Guarda Costeira, mas sem precisar por enquanto o número de migrantes afetados. Na terça-feira, as autoridades italianas coordenaram o resgate de cerca de 1.500 migrantes, enquanto os seus colegas líbios interceptaram mais de 350 que foram levados de volta ao país norte-africano. A ONG alemã Jugend Rettet e a SOS Mediterrâneo denunciaram a intervenção da Guarda Costeira líbia, que está sendo treinada e equipada pela União Europeia para tentar limitar o fluxo de migrantes.