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Polícia britânica prende mais dois suspeitos de atentado em Manchester

Por RFI

A polícia do Reino Unido prendeu mais dois homens na manhã desta quinta-feira, suspeitos de envolvimento no ataque a bomba que matou 22 pessoas em Manchester, três dias atrás. Agora já são oito os suspeitos detidos. Ainda hoje, a primeira ministra britânica, Theresa May, se encontra em Bruxelas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

A primeira-ministra britânica deve cobrar de Trump uma posição sobre o fato de autoridades americanas terem vazado para a imprensa detalhes da investigação do ataque pelos serviços de inteligência. Três dias depois do ataque em Manchester, a polícia parece já ter esclarecido que existe uma rede de extremistas que apoiou Salman Abedi, o jovem que teria detonado a bomba.

Desde a noite de segunda-feira(22), oito homens e uma mulher foram presos na região de Manchester e em outras cidades do norte da Inglaterra, para serem interrogados a respeito do possível envolvimento no ataque. A mulher já foi solta nesta quinta-feira, sem acusações. Salman Abedi, que tinha 22 anos, nasceu em Manchester em uma família de origem líbia. O irmão mais velho dele, Ismail, de 23 anos, está entre os detidos pela polícia britânica. O irmão caçula, Hashem, de 20 anos, foi preso pelas forças de segurança em Trípoli, capital da Líbia, junto com o pai deles, Ramadan Abei.

Assim como ocorreu com centenas de cidadãos líbios, a família Abedi recebeu asilo no Reino Unido nos anos 90, quando fugiu da repressão do regime de Muammar Kadhafi. A cidade de Manchester foi a que recebeu a maior concentração desses refugiados, e os serviços de inteligência britânicos suspeitavam que muitos deles tinham envolvimento com redes extremistas islâmicas, como a Al-Qaeda. Aparentemente, vizinhos e outros conhecidos de Salman Abedi já tinham alertado as autoridades britânicas anos atrás sobre o fato de o rapaz manifestar publicamente sua simpatia pelo terrorismo e pela ideia de morrer por uma causa. Ainda não se sabe como a polícia reagiu na época dessas denúncias.

Pelo menos recentemente, os serviços de inteligência vinham considerando Abedi como uma figura periférica no panorama do terrorismo no país e não estava sendo monitorado. As autoridades acreditam que ele foi usado apenas para detonar um artefato que teria sido montado por outros militantes.

Fotos da bomba divulgadas no The New York Times irrita governo

Na noite de quarta-feira (24), o jornal americano New York Times divulgou fotos dos destroços da bomba que teria sido usada no ataque em Manchester, em imagens confidenciais que foram coletadas nas investigações. A notícia é de que membros do governo, da polícia e dos serviços de inteligência estão furiosos com as autoridades americanas. A primeira-ministra, Theresa May, se encontra hoje em Bruxelas com o presidente Donald Trump, onde eles participam de uma reunião na Otan.

May deve pressionar Trump para obter as fontes desses vazamentos. Lembrando que, na terça-feira, os jornais americanos foram os primeiros a revelar a identidade de Salman Abedi. A lei britânica não permite esse tipo de divulgação antes da investigação ser conclusiva. Ainda não se sabe de onde estão vindo esses vazamentos e se a Casa Branca está ou não envolvida. Em investigações como esta, é comum que os britânicos compartilhem detalhes com os países aliados, entre eles os Estados Unidos. Mas nesta quinta-feira a polícia britânica disse que parou de compartilhar informações com os americanos.

Campanha para legislativas é retomada nesta quinta

Daqui a exatamente duas semanas, os britânicos vão às urnas para escolher seus representantes no Parlamento, o que vai definir o futuro do país após o Brexit. As campanhas tinham sido suspensas depois do ataque, mas serão retomadas nesta quinta-feira. Analistas acreditam que ainda é cedo para analisar o impacto do ataque em Manchester na campanha. Na segunda-feira (22), antes do ataque, os Conservadores estavam sendo bastante pressionados quando tiveram que voltar atrás em seu programa de governo para modificar políticas ligadas ao bem-estar social.

O Partido Trabalhista parecia estar ganhando força, com as pesquisas de opinião indicando que a margem de diferença de votos entre os dois partidos tinha caído de 20 para 9 pontos, desde abril. Theresa May e o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, participam, na semana que vem, de dois programas de entrevistas ao vivo, com perguntas do auditório. Mas os dois devem ser entrevistados separadamente e não frente a frente.

 

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