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Vitória apertada de May dificulta negociação do Brexit

Por RFI

Depois do resultado surpresa das urnas que deixou a primeira-ministra britânica Theresa May enfraquecida e seu Partido Republicano sem maioria absoluta no Parlamento, o grande problema agora é quem, como e quando serão as negociações do Brexit.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

O povo britânico quer saber quem vai negociar o Brexit em nome do Reino Unido. Apesar da dramática derrota nas urnas, a primeira-ministra britânica Theresa May continua insistindo ser a melhor pessoa para conduzir as negociações com a União Europeia. A líder conservadora tem defendido o chamado “hard Brexit” ou o “Brexit duro”, que prevê a saída do Reino Unido do mercado comum e da jurisdição da Corte Europeia de Justiça, além da imposição de novos controles de fronteira e de imigração.

Porém, com o resultado das eleições que ela mesmo antecipou, May está enfraquecida, com pouca margem de manobra e sem autoridade para sustentar o braço de ferro com Bruxelas. Além disso, existem políticos contra a idéia do “hard Brexit” não só na oposição, como entre os “tories” – como são chamados os integrantes do Partido Conservador.

A liderança de Theresa May está ameaçada e já há quem aposte em nomes para sucedê-la, como o ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson ou o ministro das Finanças, Phillip Hammond. No entanto, essas especulações não modificam a mensagem de Bruxelas. Para o o negociador-chefe da UE para o Brexit, Michel Barnier, “as negociações vão começar quando o Reino Unido estiver pronto”.

Teoricamente, Londres poderia pedir um adiamento da data. O início das negociações do Brexit está previsto para 19 de junho, daqui exatamente uma semana, no mesmo dia do discurso no qual a rainha Elizabeth II apresenta o programa do novo governo britânico. Bruxelas vê com ceticismo a estabilidade do governo minoritário de Theresa May, apoiado pelo Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte, o DUP.

Na semana passada, os eleitores mostraram nas urnas que não apoiam o “hard Brexit” planejado por May e fortaleceram o Partido Trabalhista, de Jeremy Corbyn, que ganhou 33 cadeiras a mais no Parlamento britânico e que tem uma visão mais moderada sobre as negociações com Bruxelas.

Negociação do Brexit

O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, entende que as negociações do Brexit devem continuar, uma vez que o artigo 50 do Tratado de Lisboa – o primeiro passo para oficializar a saída do Reino Unido da União Europeia - já foi ativado.

Para Corbyn, a posição em relação às negociações com Bruxelas é clara: “nós queremos um Brexit dos empregos primeiro, por isso o mais importante é um acordo comercial com a Europa. Penso que um gesto de boa vontade do parlamento seria votar agora para que os cidadãos europeus que moram no Reino Unido possam ficar no país", declarou. Fortalecido pela vitória da semana passada, Corbyn convidou a primeira-ministra Theresa May a dar lugar a um governo do “Labour” – nome do Partido Trabalhista em inglês – e disse que estava pronto para assumir o poder.

Eleições antecipadas, um tiro no pé

Ao convocar eleições antecipadas, Theresa May atirou não só em um, mas nos dois pés. Segundo o jornal britânico The Guardian, “May foi politicamente ferida, talvez até faltamente, por seu fracasso em querer garantir um mandato gigante, que inicialmente parecia possível. Ela queria que Bruxelas ficasse impressionada com sua maioria esmagadora no Parlamento.

Em vez disso, May agora parece fraca e vulnerável”. A União Europeia se inquieta, se preocupa com o que está por vir. Com o atual caos na política britânica o cronograma das negociações do Brexit corre o risco de atrasar. Para os europeus, é simplesmente impossível sentar à mesa para negociar quando não se sabe quais os objetivos do outro lado. A saída do Reino Unido do bloco europeu tem que estar concluída até março de 2019.
 

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