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População de Veneza tenta se proteger da invasão de turistas

Veneza quer limitar o número de turistas e impedir a abertura de novos hotéis. A população da cidade italiana, patrimônio da humanidade, se sente ameaçada pelo aumento do fluxo de visitantes.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

O fluxo de visitantes aumentou demais para esta pequena cidade de 55 mil residentes permanentes. Para se ter uma ideia, em 25 anos o número de turistas em Veneza quadruplicou e hoje chega a 30 milhões de pessoas por ano.

O problema é que, dentro de uma cidade histórica, faltam infraestruturas para tanta gente, escoamento dos esgotos dos banheiros, coleta de lixo e principalmente espaço. De um lado, os venezianos reclamam, de outro os comerciantes dão pulos de alegria. Os turistas geram entradas de mais de € 1,5 bilhão por ano, cerca de R$ 6 bilhões, mas provocam uma especulação imobiliária e hoteleira insustentável.

Especulação imobiliária

A especulação imobiliária e hoteleira é outro termômetro do overbooking em Veneza e significa dizer que quanto mais possibilidades de encontrar hotéis e estruturas Bed&Breakfast, além de outros tipos de hospedarias, mais gente visita Veneza. Desde 1999, o número de hotéis e hospedarias aumentou 294%. Atualmente são mais de 47 mil leitos disponíveis, ou seja, quase como se a população residente dobrasse.

Muitos proprietários de apartamentos vivem de turismo e não precisam ter outro trabalho. Segundo estatísticas, o aluguel de um apartamento em Veneza, com serviços de hospedagem, rende ao proprietário cerca de € 10 mil por mês, aproximadamente R$ 40 mil.

Nesse aspecto existem duas faces da mesma moeda: ou o proprietário escolhe o amor pela cidade ou pela própria conta bancária. As duas coisas parecem incompatíveis. A proposta alternativa é melhorar a qualidade do turismo e diminuir a quantidade de turistas. Qualidade do turismo quer dizer selecionar só aqueles que podem pagar. Portanto, Veneza que não é uma cidade barata, ficaria ainda mais cara. Esta possibilidade também deixa lacunas. Os turistas podem se hospedar em Mestre, cidade vizinha, e visitar Veneza lotando a cidade do mesmo jeito que acontece hoje.

Outros problemas de Veneza

Limitar o numero de hotéis e hospedarias é um paliativo. Outro colossal problema são os navios transatlânticos. Gigantes com capacidade de transportar milhares de turistas. Esses mastodontes passam pela estreita laguna sem serem perturbados, para que os hóspedes possam ter o privilégio de ver a Praça São Marco de Veneza a bordo do navio. Além da quantidade de passageiros que eles trazem, existe o perigo enorme de um acidente numa cidade frágil, considerada uma pérola da arte.

Domingo passado (18) foi feito um referendo entre os habitantes de Veneza para proibir que esses cruzeiros naveguem dentro da laguna. O resultado é que 98% dos cidadãos que votaram, cerca de 18 mil pessoas, são contrários aos grandes navios no lago. A consulta teve um valor simbólico, mas certamente lançou mais um grito de alerta aos políticos.

Cinco anos atrás um decreto do governo proibiu a passagem de navios com peso superior a 40 mil toneladas. Mas até agora o decreto não foi aplicado. Os venezianos acusam o lobby das grandes companhias marítimas. Os navios com mais de 300 metros de comprimento e 40 metros de largura, altos como um prédio de dez andares, continuam passando pela laguna, movendo milhões de litros de água, causando erosões nas margens e nos frágeis alicerces submersos das casas. Enfim, se não forem tomadas providências, será provavelmente a crônica de uma tragédia anunciada.

Flickr/ Creative Commons

 

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