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Alemanha Cúpula do G20 Protecionismo Acordo climático Michel Temer Donald Trump Vladimir Putin

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G20: Temer diz que retorna "tranquilíssimo" à Brasília

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O presidente americano, Donald Trump (esq.), cumprimenta Michel Temer com seu famoso aperto de mão na sessão de trabalho deste sábado (8) na cúpula do G20, em Hamburgo. REUTERS/Ludovic Marin

As divergências no combate às mudanças climáticas marcam até o fim as negociações entre os líderes do G20 reunidos neste sábado (8) em Hamburgo, na Alemanha. Ao chegar para a penúltima sessão de trabalho, o presidente Michel Temer foi cumprimentado pelo americano Donald Trump. Pouco antes, ele disse a jornalistas brasileiros que retornava "tranquilo" para Brasília.


A resolução final do encontro do G20 irá condenar o protecionismo, segundo fontes europeias, mas faz uma concessão aos Estados Unidos ao incluir que os países têm o direito de se defender de práticas comerciais ilegítimas.

O presidente americano, Donald Trump, prometeu assinar em breve um acordo de livre comércio com o Reino Unido. Trump qualificou de "formidáveis" os encontros que manteve com o líder russo, Vladimir Putin, e com a primeira-ministra britânica, Theresa May, em Hamburgo, além de elogiar a organização do evento pela chanceler alemã, Angela Merkel.

No entanto, o isolamento dos Estados Unidos na área climática deve ser evidenciado no documento final da cúpula. Até os minutos finais das negociações, a administração Trump tentava inserir no texto uma referência à produção "limpa" de combustíveis fósseis, mas enfrenta a oposição dos demais 19 países, que reafirmam seu compromisso com o Acordo de Paris concluído em 2015.

O único tema de consenso no encontro foi a luta contra o financiamento do terrorismo. O presidente Michel Temer defendeu nas discussões uma maior integração e cooperação entre as agências de inteligência do G20.

Temer embarca para o Brasil antes do final da cúpula

Temer teve uma participação apagada na reunião. Hoje, segundo e último dia da cúpula, ele não tinha reuniões bilaterais previstas e só compareceu à metade da primeira sessão de trabalho. Às 11h30 pelo horário local, 6h30 em Brasília, o avião presidencial decolou do aeroporto de Hamburgo. Ele não foi à última reunião de trabalho prevista às 12h30.

Depois de cometer mais uma gafe ontem, ao dizer em um vídeo postado em sua conta no Twitter que as ações do governo estão "fazendo voltar o desemprego" no Brasil, Temer disse hoje que continuará a trabalhar pela recuperação econômica do país.

Macron e Xi Jinping em "total acordo" sobre o clima

O chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, e o presidente chinês, Xi Jinping, se reuniram pela primeira vez neste sábado à margem da cúpula. Uma nota do Palácio do Eliseu destaca o "acordo total" entre os dois líderes sobre a questão da defesa do pacto climático global, enfraquecido pela saída dos Estados Unidos.

Macron e Xi manifestaram a vontade de realizar projetos em comum na área de energias renováveis, disse o presidente francês. Macron "concordou", segundo o comunicado, em visitar a China no final do ano ou no início de 2018 e enfatizou a necessidade que a relação franco-chinesa se desenvolva em uma atmosfera de "abertura, reciprocidade e previsibilidade".

Papa demonstra preocupação com alianças à margem do G20

Hoje, o papa Francisco revelou preocupação com as "alianças perigosas" entre membros do G20, que "podem prejudicar pobres e migrantes". As grandes potências têm uma visão deformada do mundo, afirmou o papa, referindo-se aos conflitos de interesse que marcam as relações entre Estados Unidos, Rússia, Síria, China e Coreia do Norte.

A cúpula do G20 foi ofuscada na sexta-feira (7) pela reunião tão esperada entre Trump e Putin. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, anunciou após o encontro que Estados Unidos, Rússia e Jordânia concluíram um acordo de cessar-fogo a partir deste domingo (9) no sudoeste da Síria. Em um primeiro momento, "a segurança em torno dessa zona será garantida por forças e meios da polícia militar russa em coordenação com os jordanianos e os americanos", detalhou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

Duzentos policiais feridos nos protestos

Os protestos de militantes antiglobalização continuam mobilizando mais de 15 mil policiais em Hamburgo. O primeiro dia da cúpula foi marcado por incêndios de veículos, fachadas de bancos quebradas e enfrentamentos entre militantes anticapitalistas e as forças de segurança. Ontem, 197 policiais sofreram ferimentos leves e 19 pessoas foram detidas.

Com informações do repórter João Alencar