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Reino Unido vai investigar escândalo do sangue contaminado

Por RFI

O governo do Reino Unido anunciou que vai investigar como mais de 2,4 mil pessoas morreram no país depois de receberem transfusões de sangue contaminado, durante as décadas de 70 e 80. Este é considerado o maior escândalo envolvendo o NHS, o sistema público de saúde britânico, e o inquérito ocorre no momento em que o sistema vive uma grave crise por falta de financiamento.

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

Nos anos 70 e 80, o Reino Unido importava boa parte dos componentes sanguíneos utilizados no sistema público de saúde do país, principalmente no tratamento de pacientes hemofílicos. Outros países, como a França, o Japão e os Estados Unidos, também sofreram problemas semelhantes. Naquela época, pacientes hemofílicos começaram a ser tratados com uma terapia revolucionária com um agente coagulante chamado Fator VIII, que é feito a partir do plasma de sangue doado. A demanda era alta e as empresas farmacêuticas começaram a comprar sangue para abastecer seus estoques.

O problema é que muito desse material vinha de usuários de drogas, de profissionais do sexo e de presidiários, e as autoridades de saúde teriam ignorado os riscos. Segundo um levantamento realizado por ativistas, nas décadas de 70 e 80, cerca de 4,8 mil hemofílicos britânicos receberam Fator VIII feito com plasma contaminado pelo vírus da hepatite C, uma doença que causa danos ao fígado e pode ser fatal. Desses, mais de 1,2 mil também foram infectados pelo HIV, o vírus causador da Aids. Até hoje, mais de 2,4 mil desses pacientes morreram como consequência dessas infecções. Os que sobreviveram vivem uma luta diária contra as doenças.
 
Uso do material só foi suspenso nos anos 80

 
As autoridades de saúde perceberam o problema no fim da década de 70, com as primeiras mortes de pacientes hemofílicos que até então eram saudáveis. Mas há indícios de que o uso desse material contaminado só foi suspenso no começo dos anos 80. Desde então, o governo britânico vem sendo criticado e pressionado a investigar o escândalo.

Em 1991, ameaçado de ser processado pelos pacientes infectados pelo HIV e seus familiares, o governo da época concordou em pagar indenizações de cerca de 60 mil libras. Mas só depois é que ficou constatado que a infecção com o vírus da hepatite C atingiu uma escala muito maior. Até hoje, nunca tinha sido feito um inquérito nacional sobre o escândalo, tanto durante os governos conservadores quanto nos governos trabalhistas.

Mas agora, diante da pressão cada vez maior dos parlamentares da oposição, a primeira-ministra Theresa May anunciou que vai consultar as famílias e os pacientes envolvidos para que um inquérito seja aberto. Ainda não se sabe se a investigação será feita apenas por membros da Justiça ou se haverá uma comissão parlamentar de inquérito. As vítimas esperam, pelo menos, saber se as autoridades da época estavam cientes dos riscos e por que não suspenderam o uso do material contaminado. Muitos pacientes e familiares reclamam também da falta de apoio quando ficou claro que eles estavam doentes.

Crise financeira
 
Ainda é cedo para se dizer se possíveis indenizações a essas milhares de famílias poderão ter um impacto direto no NHS. Mas é verdade que o sistema público de saúde está em crise, com muitos hospitais fechando, médicos e enfermeiros trabalhando longas horas sem aumento salarial, e pacientes enfrentando longas filas de espera tanto nos serviços de emergência como também para tratamentos eletivos e de rotina, como quimioterapia, cirurgias agendadas, fisioterapia e outros.

O atual estado do NHS é um dos principais pontos de enfrentamento entre o governo e a oposição. O Partido Conservador defende que partes do sistema sejam privatizadas. Portanto, boa parte do que hoje é completamente gratuito para o contribuinte britânico passaria a ser paga pelo paciente.

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