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Viés feminista renova Teatro do Oprimido no cenário internacional

Criado pelo dramaturgo Augusto Boal em plena ditadura militar, o Teatro do Oprimido conquistou o mundo e se espalhou por mais de 70 países. Agora, começa a ser revigorado por uma nova onda feminista. Um movimento que conta com mulheres da Europa, América Latina, África e Ásia. E que tem uma diretora brasileira no comando: a socióloga carioca Bárbara Santos, de 53 anos.

Por Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

Radicada em Berlim, Bárbara criou um espaço exclusivo para o Teatro do Oprimido na capital alemã: o Kuringa. Um centro voltado para pesquisa, eventos e qualificação de atores, instalado numa ampla sala no térreo de um prédio em Wedding, bairro popular com forte presença de imigrantes.

Em setembro, o Kuringa vai sediar o II Festival Internacional de Teatro das Oprimidas, com mulheres do mundo inteiro. Criado por Bárbara, o grupo Madalena-Berlim também vai participar do evento. “Vamos reforçar a campanha ‘Não significa não’, que luta pela mudança na legislação sobre a violência contra mulheres em países europeus. A gente tem, inclusive, uma peça que discute isso”, antecipa Bárbara.

“O ‘não’ da mulher não tem valor”

Bárbara Santos no Kuringa, que abriga o centro de pesquisa do Teatro do Oprimido em Berlim Cristiane Ramalho

Além de turnês pelo mundo, o Madalena-Berlim faz apresentações em abrigos para mulheres vítimas de violência. Levar o teatro até elas – que vivem sob tensão permanente - é uma forma de mostrar que não estão sozinhas.

“Com o espetáculo, elas entendem que a violência não é provocada por uma falha pessoal, mas um problema da sociedade patriarcal”, diz Bárbara. “A violência contra a mulher está presente no mundo inteiro. O fato de não se escutar um ‘não’ que uma mulher fala é gravíssimo. O ‘não’ da mulher não tem valor”.

Um dos desafios do grupo é superar as barreiras do idioma, já que muitas das mulheres no abrigo são imigrantes e não entendem alemão. “Nosso espetáculo é muito musical, muito físico, pouco verbal. Exatamente para facilitar a comunicação”.

No Brasil, Bárbara bebeu diretamente na fonte. Trabalhou por duas décadas com Augusto Boal. Foi, inclusive, coordenadora do Centro do Teatro do Oprimido no Rio de Janeiro.

Além de aprendiz, foi parceira: “Trabalhei com Boal por 24 anos. A gente desenvolveu muitas técnicas juntos, como o Teatro Legislativo. Ele foi vereador do Rio, e a gente fez toda uma experiência de teatro dentro do Parlamento”.

Obras nada convencionais

Boal desenvolve o Teatro do Oprimido ao sair para o exílio, nos anos 70, fugindo da ditadura no Brasil. Com o tempo, o conceito ganha o mundo. Passa por países

Mulheres participantes da Rede Madalena em Bogotá, Colômbia. Bárbara Santos

como Argentina, Portugal e França – onde se fixa e até hoje tem forte presença. Depois, se espalha pela Europa, Índia, África e Estados Unidos.

“Hoje, está em todos os continentes. Inclusive no mundo árabe e na Austrália. Até em países que não são democráticos, tem gente tentando fazer o Teatro do Oprimido”, diz a diretora, que mudou-se para Berlim em 2009, pouco depois da morte de Boal.

Em novembro, Bárbara estará em Paris com o grupo Madalena-Berlim. Elas vão se apresentar durante o Dia de Luta contra a Violência contra a Mulher, como convidadas de uma rede feminista.

Bárbara explica que os espetáculos do Teatro do Oprimido são sempre obras abertas,  nada convencionais. “A intenção é

Bárbara Santos com os livros que escreveu sobre o Teatro do Oprimido em português e espanhol. Felipe Tobon

provocar o público para que faça uma intervenção. É ele quem vai trazer a sua própria perspectiva e apresentar o final da história.”

Em setembro, entre um espetáculo e outro, a diretora lança seu segundo livro, em Portugal: Do Teatro do Oprimido ao Teatro das Oprimidas. “Ele começa depois da morte de Boal. Vou contar como desenvolvemos as pesquisas recentes até chegar à rede internacional de mulheres”. Uma história que, como o próprio teatro, ainda está em aberto.

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