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Lítio na água pode reduzir risco de demência

Um estudo científico feito na Dinamarca mostrou que o número de casos de demência na população daquele país é maior onde a água potável tem baixa concentração de lítio. A informação pode ser fundamental para diminuir a ocorrência de demência no mundo.

Margareth Marmori, correspondente em Copenhague

Pesquisadores da Universidade de Copenhague analisaram informações médicas sobre quase 74.000 pacientes portadores de demência e as compararam com os dados de mais de 730.000 dinamarqueses. Eles também mediram a concentração de lítio em 151 estações de abastecimento de água. Depois, eles cruzaram todos esses dados com informações sobre o lugar onde essas pessoas moravam. Assim, os cientistas descobriram que onde havia menos pessoas dementes era onde a água das torneiras tinha uma concentração maior de lítio.

De acordo com o estudo, o efeito positivo do lítio foi verificado para os dois principais tipos de demência, que são o mal de Alzheimer e a demência vascular, que é causada por problemas na circulação do sangue para o cérebro.

O lítio é um elemento químico metálico que é encontrado naturalmente em águas subterrâneas. A substância já é usada no tratamento de uma doença mental conhecida como transtorno bipolar. Além disso, testes com animais já haviam indicado que a substância pode ajudar a melhorar a capacidade de aprendizagem e a memória.

Os autores da pesquisa alertam, no entanto, que ainda é cedo para recomendar a adição de lítio à água usada para abastecimento público. Em entrevista ao jornal Politiken, o professor do centro de psiquiatria do hospital universitário de Copenhague, Lars Vedel Kessing, explicou que primeiro é preciso investigar se os resultados positivos encontrados na Dinamarca também podem ser observados em outros países.

Dosagem certa ainda requer estudos

Além disso, é preciso ter certeza que o uso prolongado do lítio não causa efeitos colaterais. Outra questão a ser esclarecida é qual a dosagem certa que pode ajudar a prevenir a demência. Os pesquisadores observaram que uma concentração alta de lítio na água não tinha um efeito tão positivo. Mas, quando a concentração na água era apenas um pouco acima da média, o efeito positivo era maior e o número de casos da doença caía 22%. Eles suspeitam que é a exposição prolongada a doses mínimas do elemento que produz os melhores resultados.

De qualquer maneira, esse estudo é muito positivo e cria uma esperança de prevenção da demência. Encontrar um meio de prevenir a doença seria um grande avanço, principalmente porque não existe cura para a demência. Alguns dos sintomas da doença são perda de memória, incapacidade de completar tarefas que antes eram fáceis, dificuldade para resolver problemas e mudanças de humor e personalidade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, em todo o mundo, 47 milhões de pessoas sofrem de demência e esse número poderá triplicar em 2050. No Brasil, calcula-se que existam mais de um milhão de pessoas com a doença.

Na Dinamarca, segundo o Centro Nacional de Pesquisas sobre a Demência, a cada três horas uma pessoa morre por causa da doença. O país, com pouco mais de 5 milhões de habitantes, tem quase 84.000 que sofrem do mal.

Esta semana, um comunicado oficial da família real da Dinamarca informou que o príncipe consorte Henrique, marido da rainha Margrethe, sofre de demência. Nos últimos meses, o príncipe, que tem 83 anos, vinha se comportando em público de maneira diferente da habitual e dando declarações polêmicas à imprensa. Aparentemente, seu comportamento mudou como consequência da doença.

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