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Força da extrema-direita foi o principal choque da eleição na Alemanha

Por Silvano Mendes

O que as pesquisas anunciavam, finalmente aconteceu. O bloco formado pela União Democrata Cristã (CDU na sigla em alemão) e pela União Social-Cristã na Baviera (CSU), liderado por Angela Merkel, derrotou o Partido Social-democrata Alemão (SPD).

Porém, o principal susto desse pleito, que também já era previsto mas que provocou protestos, foi o resultado obtido pelo partido de extrema-direita AfD, Alternativa para a Alemanha, que conquistou cerca de 13% dos votos nas eleições legislativas deste domingo e entrou pela primeira vez no Bundestag.

Enviado especial a Berlim

O Bild, um dos jornais com maior tiragem do país, disse que na noite deste domingo (24) a Alemanha viveu um “terremoto eleitoral”. Não é para menos. O partido vencedor, a CDU de Angela Merkel, obteve, com 33% dos votos, o resultado mais fraco já registrado desde 1949. O principal temor foi provocado pelo fato de que o país passará a ter, em seu Parlamento (o Bundestag), um partido de extrema-direita, algo que não ocorria desde a Segunda Guerra Mundial e a queda no nazismo.

Diante do resultado, já na noite de domingo as pessoas se reuniram nas ruas de Berlim, e também em outras cidades alemãs, para contestar a conquista do AfD, sigla do partido Alternativa para a Alemanha, que venceu com uma campanha anti-imigrantes e contra os muçulmanos.

Na capital, centenas de manifestantes cercaram uma discoteca na Alexander Platz, que havia sido alugada pelo AfD para festejar o resultado, aos gritos de “fora nazistas” ou ainda “refugiados são bem-vindos”. A praça ficou cheia de policiais e alguns turistas que passeavam no local. Muitos deles, que vieram para a Maratona de Berlim, que aconteceu também no domingo, pareciam bastante assustados, ou pelo menos desorientados.

Manifestação contra o avanço histórico da extrema-direita nas eleições legislativas deste domingo na Alemanha. RFI

“Vamos perseguir Merkel”

Isso ocorreu antes mesmo de Alexander Gauland, um dos chefes do AfD, se exprimir. Ele disse que pretende "perseguir Angela Merkel". "Hoje é um dia excepcional para a história de nosso partido. Vamos mudar esse país", celebrou. Já Alice Weidel, a outra chefe do partido foi mais moderada, e alertou que pretende lançar uma investigação contra Merkel, alegando que a decisão da chanceler de abrir a Alemanha para os refugiados seria ilegal.

A chanceler não fugiu à regra que resume seu estilo e se manteve calma, ao menos aparentemente. Merkel disse apenas que deverá “enfrentar o desafio da entrada da Afd no Parlamento e tentar reconquistar os eleitores desse partido, mas também combatê-lo”. Já Martin Schultz, do SPD, que ficou em segundo lugar, com resultados também historicamente fracos, disse que “a presença de um partido como o AfD no Parlamento é algo insuportável para qualquer democrata”.

Mesmo se já vinha sendo alardeado há alguns dias, “o grande choque desta eleição foi a força da extrema-direita, com cerca de 13% de votos em média no país e mais de 20% no leste da Alemanha”, analisa o cientista político Klaus-Peter Sick, do Centro Marc Bloch de Berlin, e que ensina na Stanford University. “O AfD se torna uma força de oposição radical, pelo menos em sua linguagem, e com a qual a república alemã vai ter que aprender a conviver. O governo vai ter aprender a lidar com barulho em um Parlamento que, até agora, era um lugar de trabalho moderado”, conclui o especialista.

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