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Catalunha: clima tenso a dois dias da votação pela independência

Às vésperas do referendo na Catalunha, declarado ilegal pelo governo espanhol e legítimo pelo governo catalão, nada mudou desde o seu anúncio: as duas posturas continuam intransponíveis. Nas ruas, seguem as manifestações, os partidos políticos independentistas continuam com campanhas pelo “sim”, e os partidos contra o referendo, pedindo a abstenção. A Catalunha se prepara para um domingo histórico e imprevisível.

Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

Ninguém se atreve a dar um prognóstico fechado. “Ainda hoje, a dois dias do referendo, tudo pode acontecer. A postura dos governos espanhol e catalão continuam diametralmente opostas.

Com as atuais condições, é improvável que possa acontecer um referendo vinculante e com todas as garantias. A Promotoria Geral da Espanha mandou selar todos os colégios eleitorais e deu ordens às forças de segurança do Estado de impedirem qualquer atividade que facilite a votação, proibindo a colocação de urnas a menos de 100 metros dos colégios.

Espanha pressiona, Catalunha quer votar

Na quinta-feira (28) foram confiscadas mais de 2 milhões e meio de cédulas de votação, junto a 4 milhões de envelopes, além das mais de 9 milhões de cédulas que foram apreendidas na semana passada.

Por enquanto ninguém sabe se haverá urnas, apesar de o governo catalão garantir que sim e que tem um plano B para substituir a junta eleitoral cujos membros renunciaram para não serem multados na semana passada.

O departamento do interior catalão diz que a transparência e validade da votação terá o aval de "outras entidades de observação", sem especificar quais.

O que praticamente ninguém duvida é de que neste domingo haverá uma mega manifestação popular em toda a Catalunha, deixando em evidência o descontentamento de milhares de pessoas com a atitude de Madri em relação à região e o seu atual encaixe dentro da Espanha.

Outra evidência observada é que a decisão do governo Mariano Rajoy de usar a força policial para impedir o referendo, só fez aumentar o desejo da maioria dos catalães – 80% de acordo com as últimas pesquisas – de poder exercer seu direito ao voto, nem que para isso tenham que desobedecer as ordens dos tribunais.

Tensão é maior nas redes sociais

O clima está politicamente tenso, mas a essa tensão, que se reflete nos meios de comunicação, não se percebe tanto nas ruas. Há, sim, uma maior presença policial nas ruas e nos pontos onde acontecem as manifestações, embora essas manifestações sejam em geral pacíficas e festivas.

Em Barcelona, por exemplo, você pode ver nessas manifestações independentistas pessoas de todas as idades, famílias inteiras carregando bandeiras e cartazes, como se estivessem participando de uma festa, quase sempre com música ao vivo.

Foram raros os momentos de tensão entre os milhares de manifestantes nas ruas e as forças policiais. Inclusive, para os turistas que visitam a cidade, essas manifestações viraram ponto de atração e parada obrigatória para fazer fotos.

Fora dos pontos das mobilizações, há outra Barcelona alheia a tudo isso: pessoas nas ruas, nos bares, nas lojas, no trânsito, nos mercados... Você não tem a sensação de que os governos catalão e espanhol estão vivendo uma das crises políticas mais graves dos últimos 40 anos da democracia no país.

Outra coisa sao as redes sociais: aí sim é onde se observa os maiores enfrentamentos verbais anti-espanhóis e anti-catalanistas e onde se evidencia que há uma fratura entre os que querem uma Espanha unida e os que não.

Governo catalão lança contra-ofensivas

O grande trunfo dos partidos independentistas no governo está sendo o apoio social. A cada ação do governo espanhol no sentido de barrar o referendo, a base de apoio catalã aumenta.

Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira no jornal digital Catalunya Plural prevê uma participação de 63% no referendo e revela que o número de catalães com intenção de votar aumentou em mais de 600 mil pessoas nas últimas duas semanas. A pesquisa mostra que 92% dos entrevistados estão indignados com a situação atual.

Os estudantes também estão nas ruas: milhares de jovens universitários e do ensino secundário fizeram passeata nesta quinta-feira (28) em diferentes cidades da Catalunha. Cerca de 700 diretores e professores de escolas usadas como colégios eleitorais, que receberam cartas da procuradoria para não abrirem as portas no domingo, se reuniram com o presidente catalão para oferecer o seu apoio e lhe entregaram, simbolicamente, as chaves de seus centros educativos.

Os bombeiros de Barcelona também fizeram uma manifestação nesta quinta-feira para mostrar seu apoio, avisando que eles vão estar do lado da cidadania para protegê-la e permitir que a população possa exercer seu direito ao voto.

Processo de transição

A chamada “Lei de Transição” aprovada pelo Parlamento catalão contempla que, 48 horas após o referendo, se o resultado à pergunta "Quer que a Catalunha seja um Estado independente sob a forma de República?" for sim, a Catalunha vai declarar a independência da Espanha, uma monarquia constitucional.

Neste ponto, também há controvérsia: o presidente catalão, Carles Puigdemont, já disse que a declaração unilateral de independência não está agora mesmo em cima da mesa. Uma afirmação por sua vez desmentida pelos seus aliados de governo, o partido antissistema CUP e o partido Esquerda Republicana da Catalunha-ERC, que colocam o foco na próxima quarta-feira, dia 4 de outubro, o dia em que o Parlamento catalão seria convocado para anunciar a desconexão.

Ninguém se arrisca a fazer uma previsão, mas alguns analistas acreditam que nada vai se resolver neste domingo, nem nos dias seguintes, e que o processo vai ser longo.

Uma das possibilidades é que sejam convocadas eleições na Catalunha, o que pode levar a situação novamente ao ponto zero de todo esse processo porque as eleições adquiririam um caráter plebiscitário e, se o fôlego independentista se mantiver, provavelmente os partidos separatistas sairiam reforçados e negociariam um referendo “legal e vinculante”, voltando ao ponto de origem do conflito.

Caso o governo catalão declare unilateralmente a independência, o que algumas análises preveem é que o governo espanhol vai aplicar o artigo da Constituição que suspende a autonomia da Catalunha e a região passaria a ser governada pelo Estado espanhol.

Comunidade internacional

Nenhum país, além da Venezuela, apoiou diretamente a consulta. Desde o começo do conflito, a União Europeia pediu à Catalunha para respeitar a decisão do Tribunal Constitucional e advertiu que só reconhecerá o resultado de um plebiscito se ele for feito dentro da legalidade.

Nesta quinta-feira (28), no entanto, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu uma solução política que garanta a autonomia da Catalunha a partir da próxima segunda-feira, 2 de outubro.

Além disso, dois experts de direitos humanos da ONU, David Kaye e Alfred de Zayas, pediram para a Espanha respeitar os direitos fundamentais dos catalães neste domingo, garantindo a liberdade de expressão e de participação pública.

É provável que a comunidade Internacional só comece a ser mais explícita a partir da próxima segunda-feira.

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