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Estônia: ex-república soviética vira paraíso digital sem burocracia

Por Adriana Moysés

Esta semana a Estônia, país báltico de 1,3 milhão de habitantes, tornou-se a atração da imprensa francesa. O país acada de assumir a presidência rotativa da União Europeia e revelou ao mundo uma proeza de dar inveja aos gigantes americanos do setor de tecnologia da informação: baniu a burocracia, criando um sistema único de governança a partir de uma carteira de identidade com assinatura digital certificada.

Os estonianos não guardam mais papéis nem documentos em casa. Tudo sobre a vida deles está arquivado em uma carteira de identidade digital, ligada a um portal do governo, que dá acesso a todo tipo de serviço público e privado 24 horas. Com esse documento único, eles movimentam a conta bancária, votam, declaram o imposto de renda, recolhem tributos, abrem uma empresa, emplacam o carro, consultam o médico, recebem resultados de exames e receitas, encomendam remédios na farmácia, fazem matrículas nas escolas, e o que mais você quiser imaginar que uma pessoa precisa fazer de burocracia no cotidiano.

Outra vantagem: sem se locomover, usando apenas um computador, uma tablet ou o celular. Os dados pessoais são protegidos. O titular do documento estabelece seus parâmetros de confidencialidade, sabe imediatamente quem consulta seus dados e, se achar que houve invasão de privacidade ou abuso, pode recorrer à justiça.

As únicas coisas que os estonianos não podem fazer com a carteira de identidade eletrônica é casar e ou divorciar.

Buscando um projeto de futuro

Independente da União Soviética desde 1991, a Estônia procurava um projeto econômico para se distinguir dos vizinhos finlandeses, dinamarqueses e lituanos, revela uma reportagem da revista francesa L’Obs, quando encontrou a parada: investir em educação, novas tecnologias e no setor de serviços, responsável por 71% da economia. Ao mesmo tempo, o Estado adotou o caminho da eficiência, para servir melhor seus cidadãos e praticamente desaparecer dos radares.

As escolas estonianas foram maciçamente equipadas com computadores. As crianças aprendem a codificar – a linguagem informática – a partir dos 6 anos. Resultado: o país é o terceiro no ranking Pisa de desempenho em educação, atrás de Cingapura e do Japão.  

O país já estava nesse caminho, conta a L’Obs, quando veio a crise financeira de 2008. Mas a recuperação foi rápida: hoje, a Estônia tem uma taxa de crescimento de 3,1% e 6,7% de desemprego. Apenas 10% da população não utiliza esse passe digital. Para esses cidadãos, o governo reserva um atendimento personalizado.

O país tem ideias tão avançadas que criou ainda um programa de residentes estrangeiros virtuais, de 143 nacionalidades, que usam a mesma carteira de identidade mágica.

O melhor, segundo a presidenta da Estônia, Kersti Kaljulaid – sim, porque o país é governado por uma mulher –, é que as transações eletrônicas praticamente eliminam a fraude e a corrupção, já que computador não aceita propina, diz ela.

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