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Catalunha Espanha Crise Economia

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Agência financeira coloca nota da Catalunha sob vigilância negativa

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Um militante pela independência da Catalunha protesta diante da Comissão Europeia em Bruxelas, em 2 de outubro. REUTERS/Francois Lenoir

A agência de classificação financeira SP Global Ratings colocou a nota da Catalunha sob vigilância negativa nesta quinta-feira (5). A advertência foi feita devido à crise entre separatistas catalães e o governo espanhol, após o referendo sobre a independência da região, realizado no último domingo (1°).


Com o anúncio de que pode alterar a nota (B+/B) da Catalunha nos próximos três meses, a SP Global Ratings explica em um comunicado que existe o risco de que "a escalada prejudique a coordenação e a comunicação entre os dois governos, que são essenciais para a capacidade da Catalunha de reembolsar plenamente sua dívida no prazo".

A Catalunha, com uma forte indústria exportadora e turística, é a região mais rica da Espanha junto com Madri. Mas também é uma das regiões mais individadas do país, à altura de 35,2% de seu Produto Interno Bruto (PIB). A economia catalã é responsável por um quinto do PIB da Espanha, mas frequentemente é obrigada a esvaziar os cofres de um fundo especial espanhol para pagar suas dívidas.

A possibilidade de que a região se torne independente preocupa os investidores. O índice principal da Bolsa de Madri, o Ibex-35, perdeu 2,85% na sessão de quarta-feira (4). Em particular, os dois grandes bancos catalães, CaixaBank e o Banco de Sabadell, sofreram com perdas de 4,96% e 5,69%, enquanto o Santander, primeiro banco espanhol, caiu 3,83%.

Resultados do referendo serão oficializados

Nos próximos dias, o Executivo catalão deve oficializar os resultados do referendo em que, segundo as suas contas, o "sim" teria vencido com 90% dos votos. A consulta teve uma participação de 42,3% dos 5,3 milhões de eleitores da região. Mas a violência policial e a falta de organização não permitem uma análise confiável do resultado.

A sociedade catalã se mostra dividida sobre a questão. No domingo, associações unionistas, apoiadas pelo Partido Popular de Rajoy, convocaram uma manifestação no centro de Barcelona com o lema "Basta, recuperemos a sensatez!".

Por outro lado, os partidos separatistas da Catalunha preparam os últimos passos para a declaração de independência, provocando apelos por diálogo da Comissão Europeia e uma forte queda da Bolsa de Madri.

Na próxima segunda-feira (9), o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, deve comparecer perante o Parlamento regional para avaliar os resultados do referendo proibido. De acordo com fontes catalãs, a declaração de independência pode ocorrer no mesmo dia.

Escalada de tensão entre Madri e Barcelona

A escalada da crise entre Madri e Barcelona gera inquietação no continente e, pela primeira vez, a Eurocâmara debateu a questão. "Chegou o momento de dialogar, de encontrar uma saída para esta situação, de trabalhar dentro da ordem constitucional da Espanha", disse o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

Mas os eurodeputados dos principais grupos também pediram às autoridades catalãs que evitem uma declaração de independência que, na opinião do porta-voz dos social-democratas Gianni Pittella, "colocaria mais lenha na fogueira".

Puigdemont reiterou em diferentes ocasiões a necessidade de uma mediação entre ambos os executivos para solucionar a crise. Em um discurso televisionado nesta quarta-feira (4), o dirigente catalão acusou o governo espanhol de não aceitar "nenhuma das opções de mediação que já estão sobre a mesa", entre elas uma do presidente regional do País Basco, Íñigo Urkullu. "Acredito, com toda a sinceridade, que pode se tornar uma grande irresponsabilidade", assegurou Puigdemont.
  
A resposta de Madri não tardou. "[Carles Puigdemont] está absolutamente fora da realidade", respondeu logo depois a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, em uma breve aparição.

Em um comunicado posterior, o governo regional reiterou que "se o senhor Puigdemont quer falar, negociar, ou enviar mediadores, sabe perfeitamente o que deve fazer antes: voltar aos trilhos da lei, que nunca deveria ter abandonado".

(Com informações da AFP