rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

“Béjart me disse que o mundo precisava de coreógrafos”, conta Claudio Bernardo

Por Márcia Bechara

O coreógrafo brasileiro, nascido em Fortaleza, comemora 30 anos de carreira na Bélgica com sua companhia, “As palavras”, e estreia na próxima sexta-feira (13) “Apoxyomenos”, à frente do Ballet Nacional da Croácia, em Zagreb, criação inspirada nas “Troianas”, de Eurípides, e nas trágicas travessias dos migrantes no Mediterrâneo. O novo trabalho fica em cartaz na capital croata até o dia 31 de outubro.

(Para ouvir o programa clique na foto acima)

“Eu venho de Fortaleza, no Ceará, de uma família simples que tinha grande prazer em participar de danças de salão. Quando fui estudar dança, eles me ajudaram bastante. Fui para São Paulo para trabalhar com o Ballet Stagium, depois trabalhei com o Victor Navarro e depois me inscrevi para a escola Mudra, de Maurice Béjart, onde fui aceito e onde criei minha primeira coreografia”, conta o coreógrafo Claudio Bernardo, que conversou com a reportagem da RFI Brasil no aeroporto de Zagreb, na Croácia, antes de embarcar para Bruxelas, na Bélgica, num breve interlúdio entre os ensaios com o Ballet Nacional croata.

“Maurice Béjart me ajudou bastante e me disse uma frase que foi muito importante para mim, ele falou ‘o mundo precisa de coreógrafos’... Eu tinha 21 anos, estava começando, nem sabia se a dança era realmente a minha vocação. Acabou sendo essa mesmo, e é uma coisa que eu adoro, ligada a muitas outras artes”, diz Bernardo.

“Trabalhei com Jean-Christophe Maillot em Tours, na França e depois voltei para a Bélgica, onde havia um movimento muito forte com Jan Fabre, Nicole Mossoux, eu tive vontade de voltar para esse berço. Quando voltei, comecei a trabalhar com o Frédéric Flamand e logo desenvolvi este apetite parar criar coreografias”, relata o artista brasileiro.

“Apoxyomenos”: entre tragédia grega e contemporânea

“O Ballet Nacional da Croácia me pediu uma criação. Eu vi um post desta escultura fenomenal [“Apoxyomenos”], é um jovem atleta que se limpa da areia e do óleo que eles passavam no corpo, depois dos treinos, com um objeto, o strigil. A escultura foi encontrada aqui no mar da Croácia por um mergulhador belga e ficou submersa durante dois mil anos”, conta Claudio Bernardo.

“Era um bronze intacto, e essa descoberta me fez pensar sobre toda essa história das travessias no Mediterrâneo, como “As Troianas”, de Eurípides, e os refugiados que agora chegam à Europa. Então de cara respondi que gostaria de fazer alguma coisa sobre o Apoxyomenos, aquele que ‘limpa a sua pele’, que é também aquele que ‘limpa a sua dor’, é o retrato dos refugiados da Europa nesta travessia [do Mediterrâneo], porque você vai perdendo tudo, você limpa até a identidade”, finaliza o coreógrafo brasileiro, que fundou a companhia As Palavras em 1995.

O bailarino e coreógrafo cearense Cláudio Bernardo Marko Ercegovic

Todo mundo, inclusive o Brasil, está buscando um Macron para chamar de seu

"Precisamos saber de onde vêm nossas roupas", diz designer Isabelle Mesquita

MenEngage: “É impossível discutir emancipação da mulher na África sem falar da poligamia masculina”

Embaixada do Brasil em Paris promove encontro de professores de português na França

Mistérios da Chapada Diamantina são tema de livro de Christiane de Murville

"Quem ganha mais, deveria pagar mais imposto no Brasil", diz especialista da USP

“Nossa luta não é só pelo Lula, é pela democracia”, diz Tarso Genro

Após ser acusado de pedofilia no Brasil, Wagner Schwartz apresenta “La Bête” em Paris

Ator brasileiro radicado na França cria espetáculo com poesia de Pasolini

Bárbara Paz quer lançar documentário sobre Babenco no Festival de Cannes

“Derrota de Lula no STF cria um vácuo político”, diz analista da SciencesPo

Filme sobre comunidade judaica no Brasil é destaque em festival de Paris

"Olhar francês sobre produção audiovisual brasileira mudou em 20 anos", diz diretora do Festival de Cinema de Paris

"Movimentos progressistas brasileiros subestimaram fenômeno evangélico", diz jornalista francesa