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Espanha Catalunha Referendo Independência

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Espanhóis contrários à independência da Catalunha tomam as ruas de Barcelona

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Uma mar de bandeiras espanholas toma conta de Barcelona. REUTERS/Albert Gea

Milhares de pessoas se manifestaram neste domingo (8) em Barcelona, Espanha, contra o referendo de independência da Catalunha. Pelo menos 100 ônibus vindos de todo o país chegaram à cidade, transportando manifestantes que se juntaram aos protestos locais.


Os manifestantes, portando bandeiras da Espanha, cruzaram a Via Layetana, uma das artérias centrais da cidade, uma semana após o tumultuado referendo de independência da Catalunha, que acarretou uma crise política sem precedentes nos 40 anos de democracia espanhola.  

“Nós também somos catalães”, dizia um dos cartazes exibidos na passeata, que terminou com um discurso do escritor peruano Mario Vargas Llosa, ganhador do prêmio Nobel de Literatura, que viveu em Barcelona por alguns anos.

Sob o lema “Basta! Chega de insensatez”, a passeata tentou mostrar a força da chamada “maioria silenciosa” – os catalães contrários à independência que, até então, haviam preferido não se manifestar.

População dividida sobre a independência

Depois de declarar a vitória no referendo do último domingo, proibido e marcado por violentos confrontos entre a polícia e os eleitores, o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, ameaçou declarar unilateralmente a independência da região, que representa 16% da população espanhola e 19% do Produto Interno Bruto do país.

O problema, no entanto, é que, segundo as pesquisas, a população catalã de 7,5 milhões de pessoas se encontra profundamente polarizada sobre a questão da independência.

'Farta de estar calada'

"Estou cansada de estar calada, cada vez que saímos com bandeiras espanholas somos chamados de fascistas", explicou à agência AFP Susana Cerezal, de 41 anos, que chegou a Barcelona, vinda de Figueras, perto da fronteira com a França.

"Tenho 67 anos e é a primeira vez que vou a uma manifestação, mas, pelo que vejo, a situação chegou a um extremo de discriminação, e sequer somos ouvidos pelos que querem a independência ", reclamou Telesforo García Pérez, um aposentado de 67 anos que viajou de Vilafranca del Penedés, também na Catalunha.

A iniciativa, convocada pela associação Sociedade Civil Catalã – que avisou que não aceitaria nenhuma manifestação de quem não respeitasse os valores democráticos – é respaldada pelos conservadores do Partido Popular, do primeiro-ministro Mariano Rajoy, mas também pelo Partido Socialista da Catalunha e pelo Cidadãos (de centro-direita), a mais importante força da oposição na região.

Declaração de independência?

O movimento independentista, liderado pelo governo catalão de Carles Puigdemont, tem, até agora, aguentado às ofensivas jurídicas de Madri e as pressões de grandes grupos econômicos, como CaixaBank, Gas Natural e Banco Sabadell, que já avisaram que vão transferir suas matrizes para outras regiões espanholas caso se confirme a independência da Catalunha.

Em princípio, o parlamento catalão deveria, segundo o calendário do movimento, declarar a independência logo após o referendo de Primeiro de Outubro, ainda que o resultado das urnas não tenha permitido confirmar o desejo popular pela independência – só 43% dos eleitores compareceram, dos quais 90% teriam votado pelo “Sim”, sem que houvesse controle das seções eleitorais por órgãos independentes.

Só na terça-feira (10), no entanto, Puigdemont deve se dirigir à câmara regional, onde os separatistas são majoritários, para comentar a "situação política". Ainda não há, porém, confirmação de que o presidente possa aproveitar a sessão para declarar a independência.

Enquanto isso em Madri...

O primeiro-ministro Mariano Rajoy se nega a dialogar enquanto os separatistas não tenham retirado a ameaça de declaração de independência, além de já ter sinalizado que está pronto a suspender a autonomia da Catalunha.

“Não descarto absolutamente nada”, disse Rajoy em entrevista ao jornal El País, que lhe perguntou sobre a aplicação do artigo 155 da Constituição, que permite a suspensão da autonomia, como intervenção do Estado nacional na região.

(Com agência AFP)