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Catalunha Independência Prisão Protestos

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Novos protestos na Catalunha contra prisão de líderes independentistas

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Varandas de Barcelona com bandeiras catalãs e cartazes que dizem "Sim" ao referendo separatista em 5 de outubro de 2017. REUTERS/Yves Herman

A Catalunha vive nesta terça-feira (17) mais um dia de protestos contra a prisão de dois influentes líderes independentistas catalães acusados de sedição pela justiça, crime que, na Espanha, designa atos contra o poder do estado e a ordem constitucional. A decisão pode aumentar ainda mais a tensão entre o governo regional e o central.


"Infelizmente, temos presos políticos outra vez", afirmou o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont. A prisão de Jordi Cuixart, líder da Omnium Cultural, e Jordi Sánchez, da Assembleia Nacional Catalã, antes do julgamento, foi determinada pela juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional.

Os dois são acusados de liderar os protestos contra uma operação da polícia que procurava provas do referendo inconstitucional de independência de 1° de outubro. A Omnium e a ANC convocaram protestos ao meio-dia (8h00 de Brasília) e uma manifestação durante a noite no centro de Barcelona, contra a decisão da justiça espanhola.

A prisão e os protestos acontecem em um momento de bloqueio na disputa pela declaração de independência. O premiê Mariano Rajoy considera que Carles Puigdemont não esclareceu ter declarado ou não a independência na semana passada. O presidente catalão tem até quinta-feira para responder claramente ou retificar sua posição.

Outras manifestações devem acontecer durante a tarde, na frente das sedes das delegações do governo espanhol nas quatro capitais de província da Catalunha (Tarragona, Lérida, Gerona e Barcelona). As próximas 48 horas podem ser cruciais para o futuro do conflito entre os governos de Madri e Barcelona, uma situação que levou o Executivo central a reduzir a previsão de crescimento econômico de 2018, de 2,6% a 2,3%.

Independentistas podem ser condenados a 15 anos de prisão

O crime de sedição pode resultar em uma pena de até 15 anos de prisão. No mesmo processo, estão indiciados o chefe da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, e uma auxiliar dele, Teresa Laplana, que permanecerão em liberdade, mas impedidos de deixar o país e com a obrigação de comparecer periodicamente ao tribunal.

Os autos apontam Sánches e Cuixart como os "principais promotores e diretores" de uma concentração em 20 de setembro diante de um edifício do governo catalão, onde a polícia espanhola fazia buscas para impedir o referendo de autodeterminação na Catalunha de 1º de outubro.

Os manifestantes danificaram vários veículos policiais e dificultaram por horas a saída dos agentes. Sánchez, presidente da Assembleia Nacional da Catalunha (ANC), e Cuixart, da Òmnium Cultural, subiram em um veículo da Guarda Civil espanhola e convocaram a "mobilização permanente".

A juíza determinou a prisão porque temia a possibilidade de "destruição de fontes de prova" ou "recorrência do delito", pois, afirmou, os dois pertencem a um "grupo organizado que busca, fora das vias legais, a independência da Catalunha".

(Com informações da AFP Brasil)