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Itália Referendo Orçamento Extrema-Direita Imigração

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Lombardia e Vêneto votam em referendo por autonomia fiscal

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Cédulas utilizadas no referendo da região de Vêneto. REUTERS/Manuel Silvestri

Em atmosfera diferente da Catalunha, os eleitores da Lombardia e de Vêneto, duas prósperas regiões do norte da Itália, votam neste domingo (22) em referendos para pedir maior autonomia fiscal ao governo central de Roma.


Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Ao contrário do que acontece na Espanha, as consultas respeitam a Constituição italiana e não têm caráter separatista. Os governadores da Lombardia, Roberto Maroni, e de Vêneto, Luca Zaia, tentam há anos fazer com que uma parcela maior dos impostos pagos por seus habitantes seja revertida para questões locais.

As duas regiões são governadas pela Liga do Norte, partido de extrema-direita. Em caso de vitória do "sim", Maroni e Zaia exigirão mais competências nas áreas de infraestrutura, saúde ou educação, bem como certos poderes reservados ao Estado. Por exemplo, em decisões sobre segurança e imigração, que são questões-chave para a Liga do Norte. Os resultados terão importância sobretudo política para os dois governadores de extrema-direita em um momento delicado para a Europa, com o crescimento dos movimentos anti-imigração.

O principal objetivo da consulta é o de obter mais recursos. Cada região poderia, em caso de vitória do "sim", recuperar cerca de metade de seu saldo fiscal, diferença entre o que as províncias coletam em impostos e o que recebem do orçamento público federal. Isso representa um déficit de 54 bilhões de euros para a Lombardia e de cerca de 15 bilhões de euros para Vêneto.

O Vêneto (cinco milhões de habitantes) e a Lombardia (10 milhões) estão entre as regiões mais ricas da Itália e, em conjunto, representam 30% do PIB nacional. O endividamento per capita é baixo: 73 euros para a Lombardia, 219 euros para o Vêneto, em comparação com 407 euros para a média nacional. O mesmo vale para o "custo para o Estado" de cada habitante: 2.447 euros na Lombardia e 2.853 no Vêneto, bem abaixo da média italiana de 3.658 euros.

Referendos diferentes

Embora a pergunta em comum seja sobre conquistar mais autonomia na gestão dos impostos, os dois referendos são diferentes. Na Lombardia, não há exigência de quórum mínimo para que a consulta seja validada, enquanto no Vêneto é necessária uma participação de 50% mais um dos eleitores.

Há também diferenças no sistema de voto: pela primeira vez, a Lombardia experimenta o voto eletrônico feito com tablets em cada cabine de votação. Já os vênetos votam com o clássica cédula eleitoral de papel depositada na urna.

A consulta convocada pela Liga do Norte tem o apoio do partido de centro-direita Forza Italia, de Silvio Berlusconi, do populista Movimento Cinco Estrelas, de organizações patronais e de vários sindicatos. Algumas formações de esquerda, como o Partido Comunista, denunciam um "desperdício de dinheiro público" para "um referendo que é uma farsa".

O Partido Democrático italiano, de centro-esquerda, não orientou seus eleitores, mas alguns de seus líderes, como o prefeito de Milão, disseram que votariam "sim".

A eventual vitória do "sim" não implicaria em uma autonomia fiscal imediata das duas regiões. As mudanças teriam de ser submetidas à aprovação do Parlamento, em Roma.

Com informações da agência AFP