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Catalunha Economia Empresas Espanha Boicote

Publicado em • Modificado em

Empresas catalãs sofrem ameaça de boicote na Espanha

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Fábrica do famoso cava da Catalunha, o espumante Freixenet. Wikipedia

Os pedidos feitos nesta sexta-feira (27) para que se boicotem os produtos alimentícios, medicamentos ou veículos fabricados na Catalunha, após a declaração de independência unilateral, preocupam as empresas instaladas na região autônoma, que temem virar prisioneiras de um jogo político com Madri e o resto da Espanha.


"É preciso atingi-las onde dói mais: no bolso", disse um internauta do Twitter, com a hashtag #BoicotProductosCatalanes (boicote a produtos catalães). "Nós espanhóis que não queremos que a Espanha se desmembre (...), podemos passar à ação, adotando uma medida dissuasiva de caráter econômico", diz uma página no Facebook sobre o mesmo assunto.

Algumas páginas já existiam há muito tempo. Contudo, suas publicações ganharam força à medida que se endureceu o conflito entre o governo central e o regional, após o referendo de autodeterminação de 1° de outubro. A convocação de um boicote atinge sobretudo a indústria agroalimentar, pilar básico da indústria catalã: a cava (espumante), a cerveja Estrella Damm, o creme de cacau Nocilla, o chocolate em pó Cola Cao e marcas de água mineral como Vichy Catalás e Font Vella, entre outras.

Mas a campanha de boicote também afeta os medicamentos, em uma região onde a indústria farmacêutica é muito desenvolvida, os carros da fábrica catalã da Seat (grupo Volkswagen), e até mesmo grupos estrangeiros presentes na região autônoma, como Nestlé, Danone e Unilever.

Ânimos quentes

Os ânimos estão tão quentes, que os espanhóis já fizeram até um aplicativo para smartphones que mostra ao consumidor quais produtos são catalães. Por ora, o impacto econômico do boicote é difícil de se avaliar.

No caso da cava, por exemplo, "há alguns clientes que compraram menos", sobretudo em Madri, "mas ainda vamos ver, porque as grandes vendas começam em novembro, nas compras de Natal”, explicou Rosa Rebulà, gerente da Rosell i Formosa. Vários clientes, contudo, indicaram que deixaram de comprar a cava por motivos políticos.

"Cada coisa nos disseram! Não entendem a situação e ponto", disse Rebulà, que já sofreu um boicote em 2004, depois de um político catalão se pronunciar contra a candidatura olímpica de Madri aos Jogos de 2012. Na ocasião, o boicote foi "muito intenso. E a maioria dos clientes perdidos nunca foram recuperados. As consequências podem ser graves" dessa vez também, alerta.

Várias vozes pediram calma, entre elas a de Josep Borrell, ex-presidente do Parlamento Europeu e ex-ministro socialista espanhol. "O boicote precisa parar, porque as pessoas que serão arruinadas por causa dele terão um sentimento ainda mais anti-espanhol", alertou Borrell em uma coletiva de imprensa.

Outros empresários se preocupam com o efeito bumerangue que essa medida possa provocar no resto da Espanha. "Cada vez que boicotamos um produto catalão, damos um tiro no próprio pé", afirmou Francisco Javier Peinado, secretário-geral da Confederação Regional Empresarial de Extremadura (oeste), em uma entrevista ao jornal El País.