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Catalunha Manifestação Carles Puigdemont Madri

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Multidão vai às ruas de Barcelona manifestar contra separação da Catalunha

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Manifestação em Barcelona contra a independência da Catalunha. REUTERS

Uma multidão de catalães contrários à declaração de independência na Catalunha foi às ruas neste domingo (29) em Barcelona, revelando as divisões na região, por cujo controle disputam o governo espanhol e o destituído executivo separatista.


Sob o lema "Somos todos Catalunha!" e um mar de bandeiras espanholas e catalãs, os manifestantes invadiram o Passeio de Gracia na capital catalã: 300 mil segundo a polícia local, um milhão de acordo com a delegação do governo espanhol e 1,1 milhão para os organizadores.

A manifestação foi organizada pela associação contra a independência Sociedade Civil Catalã (SCC), que conta com o apoio dos principais partidos não separatistas.

O conflito entre o governo separatista da Catalunha e o executivo central de Mariano Rajoy alcançou seu ponto alto na sexta-feira: o movimento separatista anunciou a independência, enquanto Madri respondeu destituindo o governo regional e assumindo o controle de sua administração.

Alívio e ofensa

Considerada uma ofensa pelos separatistas, a intervenção de Madri é recebida com certo alívio por cerca de metade dos 7,5 milhões de habitantes dessa região que, após anos eclipsados pelas mobilizações separatistas, aumentaram seus protestos.

"Foi uma loucura que nos levou ao precipício", repudiou Álex Ramos, vice-presidente da SCC, em referência à declaração de independência não reconhecida por qualquer país. "É um momento dramático na história da Espanha, um momento extremamente difícil e perigoso", advertiu o ex-presidente do Parlamento europeu, o catalão Josep Borrell, pedindo aos manifestantes "serenidade" para "seguir vivendo juntos".

"Não posso sair com a bandeira espanhola na minha cidade", lamentava Marina Fernández, uma estudante de 19 anos de Gerona, uma das cidades mais pró-independência da região. Os separatistas "vivem em um mundo paralelo, surrealista. Tenho raiva quando falam em nome de todos os catalães", indignava-se Silvia Alarcón, de 35 anos.

"É ilegal o que eles fizeram", disse Miguel Ángel García, um aposentado de 70 anos. "Se Madri não assumir suas responsabilidades, sentirei-me completamente enganado".

Oficialmente, o governo liderado por Carles Puigdemont foi destituído e suas funções foram assumidas pela vice-presidente espanhola Soraya Sáenz de Santamaría. O Parlamento regional também está dissolvido até as eleições convocadas por Rajoy, para 21 de dezembro.

Separatistas não aceitam destituição

Cerca de 150 autoridades da administração catalã foram demitidas e a cúpula da polícia regional, os Mossos d'Esquadra, afastada por ordens do Ministério do Interior. Na sede do governo catalão, a bandeira espanhola tremulava.

Mas os líderes separatistas não reconheceram sua destituição. Em uma carta publicada no jornal El Punt-Avui, Oriol Junqueras, vice-presidente do Executivo regional, assegurou que "o presidente do país é e continuará sendo Carles Puigdemont".

"Não podemos reconhecer o golpe de Estado contra a Catalunha, nem nenhuma das decisões antidemocráticas que o Partido Popular [de Rajoy] está adotando por controle remoto de Madri", acrescentou.

Puigdemont foi menos explícito. Em uma mensagem televisionada no sábado, afirmou que "está claro que a melhor maneira de defender as conquistas obtidas até hoje é a oposição democrática à aplicação do artigo 155" da Constituição, usado pelo poder central para destituí-lo.

O dirigente separatista não indicou como a oposição deve se manifestar. Mas, depois de vários dias, os Comitês de Defesa da República de bairros pediram a "resistência pacífica" dos catalães contra a tutela do Estado.

De acordo com o seu advogado Jaume Alonso-Cuevillas, existem atualmente "duas legalidades coexistindo" na Catalunha, a espanhola e a nova "República catalã", e os próximos dias serão fundamentais para ver qual vai se impor. Também se espera que a Procuradoria espanhola processe Puigdemont por "rebelião", um crime punível com até 30 anos de prisão.

Convite para eleições

Apesar dos processos judiciais abertos contra Puigdemont, o governo espanhol entende que o líder separatista catalão poderá se apresentar para as eleições convocadas para dezembro. "Todos são chamados a participar, inclusive Puigdemont, que é convidado a se apresentar" como candidato, declarou o embaixador espanhol na França, Fernando Carderera.

Esse anúncio feito por Rajoy na sexta-feira desconcertou os separatistas e abriu um dilema: participar e dar-lhes legitimidade ou boicotar e deixar o terreno livre aos partidos contrários à separação que estão ganhando terreno?

De acordo com uma pesquisa publicada neste domingo pelo jornal El Mundo, os partidos independentistas perderiam a maioria absoluta obtida em setembro de 2015, passando de 72 assentos para entre 61 e 65, de um total de 135.