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Jornal francês alerta para os perigos da onda populista na Europa

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Jornal francês Le Figaro desta terça-feira (31) expressa na capa sua preocupação com a onda populista na Europa. Fotomontagem RFI

O jornal Le Figaro que chegou às bancas na manhã desta terça-feira (31) traz uma matéria sobre uma nova e preocupante tendência política no Velho Continente. "Essa onda populista que balança a Europa", estampa o diário em sua capa, explicando que, nas últimas semanas, as eleições legislativas alemãs, austríacas e tchecas foram marcadas pela progressão dos partidos hostis à imigração e à União Europeia. 


O novo movimento político começou com a chegada dos migrantes da África e do Oriente Médio à Europa em meados de 2015, explica Le Figaro. O movimento ganhou força com a sideração que tomou o Velho Continente após o Brexit, em 2016. E atinge seu ápice agora, em 2017, alguns meses após a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos

"A onda das rebeliões populares contra a imigração, as elites e a globalização que varre o Ocidente não está longe de ter um fim", ressalta o diário. Os resultados das eleições nas últimas semanas na Alemanha, Áustria e República Tcheca são uma prova disso. Quase nenhum país da Europa é poupado: desde a Hungria do polêmico primeiro-ministro Viktor Orban, à Polônia, com seu partido ultraconservador Direito e Justiça, passando até mesmo por países tradicionalmente democráticos, como a Suécia e a Dinamarca, onde o movimento anti-imigração eleva as vozes populistas. 

Preocupante progressão dos partidos populistas

O jornal estampa um mapa da Europa Ocidental e a quantidade de votos que partidos ultraconservadores obtiveram nas últimas eleições em cada país. Depois da Hungria e da Polônia, a extrema-direita mostra uma importante progressão na República Tcheca, na Áustria, na Itália, na Dinamarca e também na França, onde, nas últimas eleições presidenciais, há alguns meses, a líder do partido Frente Nacional, Marine Le Pen, conseguiu chegar ao segundo turno abocanhando uma boa parte dos votos dos partidos tradicionais, mas foi vencida pelo atual presidente, Emmanuel Macron. 

Em editorial, Le Figaro explica que as raízes do descontentamento datam de muito antes da crise imigratória: desde a queda do muro de Berlim a extrema-direita encontrou um terreno fértil nos países que pertenciam ao bloco soviético. Mas a verdadeira insatisfação das classes populares começou a se intensificar com a crise econômica que a Europa vive desde a segunda metade dos anos 2000 e a crise do euro que dividiu a Europa em duas em torno da dívida grega. Pânico demográfico, alimentado pela insegurança e o risco de atentados deram força aos novos populistas. 

Inicialmente diabolizada, hoje ignorada pelos partidos tradicionais, a onda ultraconservadora ganha força. Mas se quiserem combater esse fenômeno, avalia o jornal, é preciso urgentemente que os europeus abram os olhos. "Neste período de divisão extrema, a busca de nuances e posições pragmáticas intermediárias se tornam um imperativo político", conclui Le Figaro