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Le Figaro ironiza "fuga de Bruxelas": Puigdemont, o "Assange" da Catalunha

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O presidente da região da Catalunha, Carles Puigdemont , durante pronunciamento em Bruxelas, em 3 de novembro de 2017. TV3 via REUTERS TV SPAIN OUT

Em editorial na capa do Le Figaro desta sexta-feira (3), o jornal traz o título "A fuga de Bruxelas", um texto dedicado à presença do líder catalão Carles Puigdemont e parte de seu governo na capital belga, após sua destituição por Madri. 


"Não foi a fuga de Varennes", escreve Le Figaro, fazendo uma referência muito próxima aos franceses: o momento histórico da Revolução Francesa em que o rei Luís 16 e sua mulher, Maria Antonieta, fogem para Varennes, em outubro de 1789, para encontrar o que restava do bastião pró-monarquista e tentar dar início a uma contrarrevolução. Como todos sabemos, não deu certo, e cabeças reais rolaram nas guilhotinas de Paris.

Le Figaro recupera o episódio histórico para dizer que houve "algo de patético" na fuga para Bruxelas de Carles Puigdemont, o "chefe destituído do governo catalão", que "utilizando mais uma vez da vitimização, enganou seus camaradas de luta pela independência e fugiu da Justiça de seus país para continuar seu combate com os belgas", publica o jornal. 

"Farsa nada cômica"

"Apenas três dias depois de ter realizado a votação da independência no Parlamento catalão, Puigdemont desapareceu", descreve o Figaro. "A máscara de chefe de estado desapareceu nessa farsa que toca o burlesco, com uma diferença: não existe nada de cômico nesta situação", analisa Le Figaro, que se posiciona à direita do espectro político francês.

"O futuro de um grande e velho país da Europa está mergulhado numa grande crise pela intransigência dos separatistas", publica o diário, que continua: "de seu exílio em Bruxelas, Puigdemont denuncia um 'processo político' e pede 'garantias' para voltar a Barcelona. Não foi por acaso que ele escolheu Bruxelas como destino de sua fuga", diz Le Figaro.

"Em Bruxelas,  no coração das instituições europeias, ele espera forçar uma 'internacionalização' da crise", analisa o periódico francês. "Os europeus, no entanto, bateram a porta no nariz deste chefe destituído de uma República-fantasma. Na Bélgica, ele queria manobrar com as ambiguidades do país que o acolheu durante a crise catalã, e contava com o apoio dos nacionalistas flamengos", afirma o jornal.  

Mas "o asilo político está fora de questão. Puigdemont certamente conta com a lentidão de uma Justiça que lhe permitiria ser candidato às eleições espanholas do 21 de dezembro, mesmo estando em Bruxelas", diz o Figaro. "Se a Justiça fosse eficiente, ele teria duas opções", finaliza o diário: "voltar a seu país e assumir suas responsabilidades ou pedir asilo à embaixada da Venezuela e se transformar no Assange catalão".