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Justiça Violência sexual Islã

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Teólogo Tariq Ramadan é afastado de Oxford após acusação de estupro

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O teólogo suíço Tariq Ramadan, que é acusado de estupro por duas mulheres na França. SIA KAMBOU / AFP

O teólogo suíço especializado em estudos islâmicos, Tariq Ramadan, que enfrenta duas acusações de estupro na França e é acusado de abusos sexuais contra menores na Suíça, foi afastado da Universidade de Oxford, onde leciona. O anúncio foi feito nesta terça-feira (7) pela prestigiosa instituição britânica.


"Por mútuo acordo e efeito imediato, Tariq Ramadan, professor de estudos islâmicos contemporâneos, tirou uma licença da Universidade de Oxford", indicou a instituição em um comunicado. A entidade enfatiza que esta licença "não implica presunção ou aceitação de culpa e permite ao professor Ramadan responder às acusações extremamente graves contra ele".

Ramadan, de 55 anos, é neto do fundador da organização islâmica egípcia Irmandade Muçulmana. Além de professor de estudos islâmicos contemporâneos na Universidade de Oxford, no Reino Unido, ele foi durante muito tempo uma personalidade assídua nos programas de televisão e na imprensa. Popular nos setores muçulmanos, ele é também muito criticado, especialmente nos meios laicos, que o veem como impulsor do islã político.

A principal acusação de estupro contra Ramadan foi apresentada no final de outubro por Henda Ayari. A mulher de 40 anos, ex-salafista que se tornou militante feminista e laica, havia revelado a agressão em 2016, em seu livro "Escolhi ser livre”. Na obra, ela se refere a um homem com o nome de Zoubeyr e narra um encontro no seu quarto de hotel em Paris onde o intelectual muçulmano tinha acabado de dar uma palestra.

"Por pudor, não darei aqui detalhes sobre o que ele me fez. Basta saber que ele se aproveitou amplamente da minha fragilidade", escreveu Henda Ayari, que assegura que quando se "rebelou", e lhe "gritou que parasse", ele a "insultou", a "esbofetou" e "estuprou". No final de outubro, após a onda de revelações de agressões sexuais desencadeadas pelo escândalo envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein, ela decidiu revelar, em sua página no Facebook, que o homem que a agrediu era Ramadan.

Depois disso, outras denúncias surgiram contra o teólogo, na França e na Suiça. Algumas das vítimas ainda eram menores de idade no momento da agressão. Ramadan nega as acusações e diz ser vítima de uma campanha de difamação. 

Charlie Hebdo ironiza o caso e é ameaçado

As denúncias contra Ramadan inspiraram o jornal satírico Charlie Hebdo, que na sua edição de 1º de novembro trouxe uma número especial sobre o tema do estupro. Em sua capa, Ramadan aparece com uma ereção desproporcional e pronuncia a frase “Eu sou o sexto pilar do islã”, sob o título “A defesa de Ramadan”.

A publicação foi alvo de várias ameaças após o lançamento da edição. O Charlie Hebdo foi vítima de um atentado terrorista que deixou 12 mortos, dizimando parte de sua redação em janeiro de 2015. Na época os terroristas pretendiam se vingar da revista, abertamente ateia e provocadora, por ter publicado caricaturas de Maomé.

(Com informações da AFP)