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Vaticano Abuso sexual Escândalo

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Abuso sexual no Vaticano é tema de livro lançado na Itália

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O jornalista Gianluigi Nuzzi ficou conhecido por revelar segredos dos bastidores do Vaticano. REUTERS/Alessandro Bianchi

Foi lançado nesta quinta-feira (9) o livro "Peccato Originale" (Pecado original). Na obra, o jornalista italiano Gianluigi Nuzzi aborda a lei do silêncio que reina no Vaticano sobre as denúncias de abuso sexual dentro da instituição.  


O livro investigativo relata o caso de um seminarista importante, que teria abusado sexualmente de pelo menos um estudante do ensino médio, de 17 anos. O episódio é contado na obra sob a ótica de uma testemunha, que teria tentado, sem sucesso, denunciar as agressões sofridas pelo colega, que era pensionista dentro do Palácio do Vaticano.

A testemunha, o polonês Kamil Tadeusz Jarzembowksi, residia em uma instituição instalada na Cidade do Vaticano, que abrigava crianças e adolescentes de todo o mundo dispostos a se tornarem padres. Os pensionistas frequentavam uma escola particular no centro de Roma e participavam, como "meninos do coro", das missas celebradas na Basílica de São Pedro.

Jarzembowksi morou na residência dos 13 aos 18 anos, até 2014, mas diz que foi expulso antes de terminar o colégio depois de alertar as autoridades eclesiásticas e do Vaticano sobre o crime que presenciou.

Papa Francisco teria sido informado

Segundo ele, um ex-aluno autorizado a permanecer no palácio visitava o local várias vezes durante a noite – totalizando pelo menos até 140 "visitas" – para ter relações sexuais com seu colega de quarto. Esse colega, com então 17 anos, "se sentia obrigado a ceder às exigências" do suposto agressor, de acordo com Jarzembowksi. Com a confiança do bispo reitor do lugar, o jovem exercia "uma forma de poder e de intimidação" sobre os mais jovens, impondo "bullying, ou atos sexuais", afirma a testemunha no livro de Nuzzi.

"Não culpo esses sacerdotes por serem homossexuais", declara o polonês, que hoje estuda a história da arte e se diz gay. “Tudo isso é uma grande hipocrisia: durante o dia, essas pessoas são homofóbicas; à noite, se soltam em boates gays", aponta.

Em uma conversa por e-mail publicada como um apêndice do livro, a vítima agradece a Jarzembowksi "por falar" em seu lugar, dizendo que não teria forças para fazê-lo por si mesmo.

O livro também publica a longa carta que o estudante polonês enviou ao papa Francisco para explicar a situação. "Duas outras testemunhas" confirmaram as acusações de Jarzembowksi, assegurou Nuzzi nesta quinta-feira diante da imprensa, enfatizando que o seminarista em questão foi recentemente ordenado padre.

Questionado pela AFP, o serviço de imprensa do Vaticano ainda não indicou se uma investigação foi aberta.

Autor foi pivô do “Vatileaks 2”

Esse é o quarto livro investigativo de Gianluigi Nuzzi, que vem se especializando em revelar os bastidores do Vaticano. Em 2016, ele foi absolvido pela Justiça no caso que ficou conhecido como "Vatileaks 2", após inúmeros "vazamentos" de documentos publicados por ele sobre o banco da Santé Fé.

"Pecado original" também trata do desaparecimento em 1983, ainda não resolvido, de uma jovem mulher, Emmanuela Orlandi, cidadã do Vaticano e filha de um funcionário do pequeno Estado.

(Com informações da AFP)