rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Custo do Brexit complica saída do Reino Unido da UE

Por RFI

O principal representante da União Europeia para negociar o Brexit com o Reino Unido admitiu, no domingo (12), que o bloco está preparando uma espécie de plano B para o caso de um fracasso dos diálogos pela saída dos britânicos. As declarações de Michel Barnier aumentam ainda mais a pressão sobre o governo da primeira-ministra Theresa May.

Maria Luisa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

Na última sexta-feira, no fim da sexta rodada de conversas entre o Reino Unido e a União Europeia, Michel Barnier deu aos britânicos um prazo de duas semanas para estipular claramente a quantia que devem pagar ao resto do bloco para se desligar. A reação foi, como sempre, de um certo desdém com as exigências europeias.

Na mesma entrevista coletiva em que Michel Barnier se pronunciou, o ministro britânico para o Brexit, David Davis, fez um apelo para que a União Europeia seja mais flexível. E pediu que os dois lados avancem logo para a próxima etapa do processo de saída, que é discutir o acesso que o Reino Unido poderá ter ao mercado comum europeu no futuro.

O prazo dado por Barnier é uma maneira de pressionar os britânicos a resolver uma questão crucial no Brexit. Se o Reino Unido não disser expressamente que está disposto a pagar o valor de cerca de € 60 bilhões para sair da União Europeia, os europeus não vão seguir adiante com as negociações. David Davis foi vago e disse que os britânicos ainda precisam reforçar sua autoconfiança antes de partir para esse próximo diálogo, que está marcado para começar em meados de dezembro.

Premiê sofre pressão

A pressão sobre Theresa May tanto dos europeus, como internamente, só aumenta. Já faz mais de sete meses que os britânicos evocaram o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, oficializando sua decisão de sair do bloco europeu, mas até agora a população não recebeu nenhuma informação concreta sobre o futuro do país – principalmente no que diz respeito a outras duas questões que estão gerando muita ansiedade: o futuro dos cidadãos europeus que moram aqui e como fica a fronteira entre a Irlanda do Norte, que é parte do Reino Unido, e a República da Irlanda.

Insatisfação se reflete no governo

O governo enfrenta os mais baixos índices de confiança da população desde que Theresa May virou primeira-ministra, em julho do ano passado. Uma pesquisa divulgada na semana passada mostra que hoje praticamente metade dos britânicos duvida que May seja capaz de obter a melhor negociação possível para o Brexit.

Além disso, dois terços do eleitorado recriminam a maneira como o governo está negociando a saída com a União Europeia. E as notícias não parecem trazer nenhum alívio para Theresa May. Nesta terça-feira, a Câmara dos Comuns vota a chamada Lei da Retirada, que é uma formalidade para transpor as leis da União Europeia para a legislação britânica.

Mas um grupo de parlamentares contrários ao Brexit estaria planejando votar contra esta lei se Theresa May não der ao Parlamento o direito de examinar e até rejeitar qualquer acordo que o governo acabar fechando com a União Europeia até 2019.

Uma derrota como esta em Westminster pode colocar em xeque a sobrevivência de May no poder, em um momento em que o governo está sendo abalado por escândalos na frente diplomática e por envolvimento em casos de assédio sexual. No espaço de poucos dias, esses escândalos custaram as cabeças de dois ministros do alto escalão.

Demissão Boris Johnson

Agora é o ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, quem corre risco de ser demitido. Já faz tempo que existe uma campanha pedindo a demissão de Boris Johnson, por causa de gafes e de atitudes antidiplomáticas que, para muitos analistas, não condizem com alguém à frente de um cargo tão importante. Mas a gota d’água foi o caso de uma cidadã britânica que está presa no Irã e que pode ver sua pena estendida por causa de declarações equivocadas de Boris Johnson.

Para piorar, na noite de ontem foi vazada uma carta de Johnson e do ministro do meio-ambiente, Michael Gove, para Theresa May, na qual eles pedem que ela se concentre em obter o chamado “hard Brexit” e ignore os membros do gabinete que defendem o contrário. No entanto, muitos analistas acreditam que demitir Johnson seria fatal para Theresa May.

Greenpeace processa Noruega por avanço da exploração de petróleo no Ártico

Acusações de assédio sexual provocam escândalo no Parlamento Britânico

Centenário da Revolução Russa inspira nostalgia, mas divide opiniões

Por falta de moradia, Dinamarca propõe contêiners de luxo para estudantes

Assessores de campanha de Trump são indiciados por conspiração contra EUA

Interventores de Madri chegam a Barcelona para assumir gestão da Catalunha

Macri obtém vitória histórica em eleições legislativas na Argentina