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Espanha alerta para interferência russa em crise com Catalunha

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A denúncia aconteceu durante reunião em Bruxelas com chanceleres e ministros da Defesa do bloco europeu, em 13 de novembro de 2017. REUTERS/Emmanuel Dunand/Pool

Os ministros espanhóis das Relações Exteriores e Defesa alertaram nesta segunda-feira (13), em Bruxelas, para a existência de mensagens de "desinformação e manipulação" sobre a crise política na Catalunha, originárias do "território russo", que visariam a criar instabilidade na Europa.


"Abordarei a questão da intervenção ou como se desenvolveram as questões de desinformação e de manipulação em torno do referendo e dos acontecimentos posteriores da Catalunha", anunciou o chanceler espanhol, Alfonso Dastis, ao chegar a uma reunião em Bruxelas com os titulares da Defesa e das Relações Exteriores.

Os ministros dos 28 países europeus devem debater especialmente os esforços do bloco para contrabalançar a "desinformação", procedente da Rússia, mas também, em sua opinião, de outras regiões como os países árabes, os Bálcãs e, inclusive, a Venezuela.

A ministra espanhola da Defesa, Maria Dolores de Cospedal, destacou que muitas das ações de desinformação sobre a crise catalã "vinham de território russo", embora tenha reforçado que "não se pode dizer com total certeza que seja o governo russo". "Vêm, sim, de território russo e algumas outras também, certamente, replicadas de território venezuelano", acrescentou a funcionária espanhola, indicando que estas acusações estão "em fase de análise" para conhecer que "entidades" estão por trás.

Para De Cospedal, existem certas entidades, tanto públicas quanto privadas, "que tentam interferir nas políticas nacionais, que tentam afetar e criar situações instáveis na Europa". A luta contra isso também passa, afirmou, por "declará-lo abertamente" para que "a opinião pública" o conheça.

Guerra de informações

O referendo de independência catalão de 1º de outubro deu lugar a coberturas divergentes na imprensa espanhola. O jornal El País, muito crítico aos separatistas, afirmou que os serviços em espanhol da RT e Sputnik se implicaram no assunto catalão para desestabilizar o país.

"Em outras áreas, não só em nossa vizinhança (...) criam-se estas situações de desinformação, de manipulação", destacou Dastis, em alusão a que os países do bloco lideram estas preocupações até o momento.

Nos Estados Unidos, um procurador especial investiga desde maio suspeitas de ingerência russa na campanha presidencial de 2016. A Rússia nega ter intervindo para favorecer a eleição de Donald Trump.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, explicou nesta segunda-feira apostar no apoio dos 28 membros da UE para "aumentar o orçamento para a comunicação estratégica", especialmente em unidades que em russo e árabe tentam difundir as "fake news" (notícias falsas, em inglês).