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Siemens anuncia demissão em massa e culpa “transição energética”

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O presidente da Siemens, Joe Kaeser, durante coletiva de imprensa em Munique, em 9 de novembro de 2017. REUTERS/Michael Dalder

A gigante industrial alemã Siemens anunciou nesta quinta-feira (16) planos para cortar 6.900 postos de trabalho em 2020, metade deles na Alemanha, principalmente no setor de energia, que teria sido “abalado”, segundo a empresa, pelo aumento das energias renováveis.


Após semanas de rumores na sede de Munique, a Siemens revelou no conselho geral da empresa sua resposta "às mudanças estruturais na produção de combustíveis fósseis e no setor de matérias-primas".

Além dos fechamentos planejados de plantas industriais e redução de pessoal na Alemanha, o plano inclui 1.100 cortes de empregos no resto da Europa e 2.500 empregos fora da Europa, incluindo 1.800 empregos nos Estados Unidos.

Este "ataque generalizado contra funcionários" é "inaceitável dada a excelente saúde financeira da empresa", que acabou de obter “um lucro anual de € 6,2 bilhões”, denunciou o sindicato alemão IG Metall.

Fim de uma “era de ouro”

A era de ouro da eletricidade produzida por mega turbinas de gás, que fez a fortuna de industriais alemães, arrefeceu “drasticamente”: a demanda global por essas máquinas enormes caiu para "110 turbinas por ano", quando as capacidades atuais são estimadas em" 400 turbinas ", invoca a Siemens. A empresa culpa as mudanças provocadas no mercado mundial pela “transição energética”.

"O tempo está acabando, e quanto mais cedo sairmos desta situação, melhor será para os funcionários", disse Janina Kugel, diretora de recursos humanos do grupo, que conta com 351 mil funcionários. De acordo com Kugel, as negociações devem ser concluídas antes do final de 2018, enquanto as primeiras exclusões de postagens no exterior devem ser implementadas "a partir de 2020, mas também pode transbordar em 2021 ou mesmo em 2022".

A gigante alemã já havia anunciado no início de novembro deste ano o fim de 6 mil postos de trabalho em sua líder mundial em energia eólica, a Siemens-Gamesa, por causa do declínio nas vendas.

“Luta difícil”

Os sindicatos alertam que "a Siemens deve se preparar para uma luta difícil". O poderoso IG Metall anunciou a realização de manifestações em larga escala em frente a fábricas ameaçadas e "meios criativos de resistência", citando, por exemplo, "a recusa (em realizar) horas extras".

Desde 2013, a Siemens vem reestruturando seus negócios, vendendo eletrodomésticos e redes de telecomunicações e abandonando a energia nuclear e a energia solar.