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Paris substituirá Londres como sede da Autoridade Bancária Europeia

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Adeus ao rio Tâmisa, bem-vindos ao rio Sena. Com Brexit, a Autoridade Bancária Europeia troca Londres por Paris. Divulgação

Amsterdã e Paris foram escolhidas nesta segunda-feira (20) para sediarem as agências europeias que devem abandonar Londres por causa do Brexit.


Um sistema de votação secreto deveria escolher o novo local para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e para a Autoridade Bancária Europeia (EBA), mas um sorteio entre os finalistas, empatados em pontos, apontou Amsterdã e Paris como novas sedes, respectivamente.

"Paris será sede da EBA! É o reconhecimento da atratividade e do compromisso europeu da França", celebrou o presidente francês, Emmanuel Macron, cujos esforços superaram os da candidatura de Dublin.

A Autoridade Bancária Europeia

A EBA visa "manter a estabilidade financeira da União Europeia" e "garantir a integridade, eficiência e funcionamento ordenado" do setor bancário, lembra o comunicado da UE, que informa a escolha de Paris como cidade-sede.

A agência, criada em 2011, é conhecida pelos testes de estresse nos bancos europeus, realizados desde o início da crise financeira em 2008.

Um total de 169 pessoas trabalham na entidade, segundo dados de 2016, e seus visitantes geram a ocupação de cerca de 9 mil quartos de hotel por ano.

A EBA, cuja sede em Londres ainda cobre 2.345 metros quadrados, organiza inúmeras missões nos países do bloco (700 em 2016), o que demanda uma cidade-sede com boas conexões aéreas, de acordo com o Conselho Europeu.

A Agência Europeia de Medicamentos em Amsterdã

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, comemorou a "boa notícia para todos os pacientes na Europa e para a Holanda" de que Amsterdã tenha sido escolhida a futura sede da agência encarregada de supervisionar, há 22 anos, os medicamentos de uso humano e animal.

A sorte apontou para a cidade holandesa em vez de Milão. "Uma candidatura sólida derrotada unicamente por um sorteio. Que farsa!", tuitou o primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni, cujo executivo teve que desmentir dias atrás que aumentaria suas tropas nos países bálticos, em troca do apoio deles a Milão.

Embora a saída do Reino Unido esteja prevista para 29 de março de 2019, a UE queria estar com tudo pronto para a mudança da EMA e da EBA, uma "consequência direta" e "o primeiro resultado visível" do Brexit, segundo a Comissão Europeia.

A escolha das novas sedes, por parte de ministros europeus reunidos em Bruxelas sem a participação britânica, testa a unidade do bloco em meio às negociações do Brexit e à pressão dos países da Europa do Leste.

“Fish & chips” para a EMA

Embora o equilíbrio geográfico estivesse entre os critérios definidos pela UE para a mudança de ambas as agências, junto a cinco outros de caráter mais técnico, a Comissão ressaltou como prioridade a manutenção da atividade e dos funcionários.

Os trabalhadores da EMA já haviam expressado em uma pesquisa, cujos detalhes vazaram para a imprensa, sua insatisfação com a possibilidade de que as cidades do leste europeu se tornassem novas sedes. Apenas 30% de seus quase 900 funcionários estavam dispostos a se mudar para esses lugares.

Finalmente, Amsterdã, uma das preferidas junto a Barcelona, será a nova sede, onde os funcionários poderão continuar comendo “fish & chips”, um popular prato do Reino Unido feito de peixe e batatas fritas, e disfrutando de uma "rainha muito elegante", como prometeu a Holanda no vídeo de apresentação da sua candidatura.

“Danos diretos” do separatismo

Os países europeus haviam se lançado à disputa por essas agências, diante dos benefícios econômicos associados a tornar-se a nova sede, enquanto os países do leste europeu, os últimos a serem incorporados ao bloco, reivindicaram seu direito a abrigar algum organismo da União Europeia.

"Esperamos que pelo menos uma das agências esteja em um Estado-membro mais recente", disse, em vão, o secretário de Estado tcheco para Assuntos Europeus, Ales Chmelar, cujo país optou por acolher a EBA, organismo criado em 2011, conhecido por seus testes de estresse aos bancos europeus.

Até o momento, as candidaturas derrotadas repercutiram internamente, especialmente na Espanha, cuja ministra da Saúde, Dolors Montserrat, estimou que o fracasso de Barcelona "talvez seja outro dos danos diretos do separatismo" na Catalunha.

"Estamos muito decepcionados", disse à imprensa o ministro espanhol de Assuntos Exteriores Alfonso Dastis, que atribuiu o fracasso "à incerteza" e "à insegurança" geradas pelo separatismo.

Para o presidente catalão destituído, Carles Puigdemont, a derrota da candidatura da capital catalã é um novo "sucesso" das ações lançadas pelo governo espanhol após a proclamação unilateral de independência catalã.

A prefeita de Barcelona, Ada Colau, também se manifestou: "Barcelona era a melhor candidatura no nível técnico. Nem a declaração unilateral de independência nem o (artigo) 155 (da Constituição espanhola usado por Madri para pôr sob tutela a autonomia catalã) ajudaram".

Com a eliminação de Barcelona, a Espanha, que conta com três agências, fracassa em sua segunda tentativa para atrair a agência comunitária de medicamentos à essa cidade turística, que já havia sido finalista na época em que foi concedida a Londres.