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Brexit União Europeia Reino Unido

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UE sugere acordo "ambicioso" para o Reino Unido, sob condições inegociáveis

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Michel Barnier: acordo "ambicioso" dependerá do Reino Unido. REUTERS/Yves Herman

O negociador-chefe da União Europeia para o Brexit, o francês Michel Barnier, declarou nesta segunda-feira (20) que a UE está disposta a oferecer a Londres o acordo "mais ambicioso" possível, desde que o Reino Unido respeite o modelo europeu de tratados comerciais.


"Se conseguirmos negociar uma saída ordenada e estabelecer regras justas para o futuro, nossa futura relação terá todas as chances de ser ambiciosa", afirmou Barnier em um discurso para um grupo de pesquisadores em Bruxelas. Nessas condições, "a União Europeia estará pronta para oferecer sua abordagem mais ambiciosa em relação aos acordos de livre comércio", acrescentou.

Por outro lado, Barnier alertou para o perigo de um afastamento do Reino Unido do modelo comercial europeu, o que poderá impedir o avanço nas negociações.

O Reino Unido decidiu deixar a União Europeia. Resta saber se eles querem estar próximos do modelo europeu de acordo comercial”, que inclui as regras da concorrência leal, a tributação, as leis trabalhistas, o meio-ambiente e a segurança alimentar da população.

A resposta a esta questão, disse Barnier, “será decisiva para dar forma à discussão da nossa futura parceria, que precisará ser ratificada não só no Parlamento europeu, mas também em 27 parlamentos nacionais”

Primeiro, a conta do divórcio, depois, o comércio

A abertura das negociações comerciais com Londres exige que as condições financeiras para o divórcio, assim como as consequências da separação para a República da Irlanda, sejam resolvidas.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pede que o Reino Unido avance de forma satisfatória nos assuntos prioritários até o início de dezembro. Sem isso, não poderá propor aos líderes dos 27 países membros que autorizem o início da segunda fase de negociações durante uma minicúpula, que será realizada em meados do próximo mês.

Durante a última cúpula europeia em outubro, os 27 aceitaram lançar "os preparativos internos", em vista das discussões futuras.

"O 'no deal' (fracasso das negociações) não é o cenário com o qual trabalhamos, mesmo que estejamos prontos para isso", concluiu Barnier.

Caminhões de mudança

Por causa do Brexit, duas agências da União Europeia com sede em Londres vão precisar deixar o país rumo a outros membros do bloco. Vários já se lançaram na acirrada disputa para acolher esses organismos, cuja presença promove consideráveis vantagens econômicas.

Localizadas a centenas de metros de distância, no bairro empresarial de Canary Wharf, em Londres, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a Autoridade Bancária Europeia (EBA) são de fundamental importância para o funcionamento do mercado único, cada uma em sua área.

EMA: Quase 900 funcionários

A Agência Europeia de Medicamentos tem sido responsável desde 2015 pela promoção da saúde pública através da avaliação e supervisão de medicamentos para uso humano e animal.

Esta agência, que possui quase 900 funcionários, ajuda na avaliação das autorizações de venda de medicamentos no território da UE, cuja competência corresponde a cada governo nacional.

Em 2015, recebeu cerca de 36 mil visitantes, incluindo cerca de 4 mil de fora da UE, o que gerou a ocupação de cerca de 30 mil quartos de hotel no ano.

EBA: Mais de 150 funcionários

De tamanho menor, a Autoridade Bancária Europeia visa "manter a estabilidade financeira da UE" e "garantir a integridade, eficiência e funcionamento ordenado" do setor bancário.

Esta agência, criada em 2011, é conhecida pelos testes de estresse nos bancos europeus que realiza desde o início da crise financeira.

Um total de 169 pessoas trabalham na entidade, segundo dados de 2016, e seus visitantes geram a ocupação de cerca de 9 mil quartos de hotel por ano.

A EBA, cuja sede cobre 2.345 metros quadrados, organiza inúmeras missões nos países do bloco (700 em 2016), por isso precisa de boas conexões aéreas, de acordo com o Conselho Europeu.

A agência possui dois centros de dados localizados em instalações separadas, também no Reino Unido, gerenciados por provedores externos.