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Sem coalizão para governar, Alemanha tenta evitar eleições antecipadas

Por RFI

Quase dois meses depois das eleições gerais de setembro, o país mais poderoso da Europa - e que detesta sobressaltos - ainda não sabe por quem será governado. A desistência dos liberais de participar de uma possível coalizão liderada pela conservadora Angela Merkel, anunciada no domingo, 19, jogou a Alemanha numa zona de turbulência que pode terminar em novas eleições.

Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

Para Merkel, a opção mais fácil seria repetir uma grande coalizão entre os conservadores que formam a sua base - a União Democrata Cristã (CDU) e a legenda irmã, a União Social Cristã (CSU), que só existe na Baviera - e os social-democratas do SPD. Isso daria ao governo uma confortável maioria.

Os social-democratas, porém, insistem em ficar, dessa vez, na oposição. Têm bons motivos. Nas duas vezes em que governaram em coalizão com os conservadores foram massacrados nas eleições seguintes. Na última disputa, ficaram com 20,5% dos votos – uma queda histórica para o partido.

O líder do partido liberal-democrata, FDP, Christian Lindner, anunciou neste domingo (19) a ruptura das discussões com o governo alemão que visavam a formação de uma coalizão. "É melhor não governar do que governar mal", declarou Lindner.

Alemães preferem novas eleições

Por ironia, a responsabilidade de conduzir a Alemanha nesta crise está nas mãos de um social-democrata: o presidente Frank-Walter Steinmeier. Ele já sinalizou que vai fazer o possível para evitar a convocação de novas eleições.

Nos próximos dias, Steinmeier vai conversar com lideranças partidárias em busca de novas alternativas. E pode tentar convencer o líder do seu partido, Martin Schulz, derrotado por Merkel nas últimas eleições, a mudar de ideia. Schulz já disse que prefere manter o SPD na oposição.

Se as negociações em torno de uma possível coalizão fracassarem de vez, Steinmeier ainda pode tentar formar um governo de minoria – indicando um nome para o cargo de primeiro-ministro que terá que ser submetido ao crivo do Parlamento.

Pode ainda dissolver o Bundestag e convocar novas eleições. Caso isso aconteça, terá apoio de 51% dos alemães, que preferem voltar às urnas, segundo pesquisa divulgada pela emissora ZDF, na segunda, 20.

Políticos dos partidos mais tradicionais, como os conservadores e social-democratas, no entanto, temem que uma nova eleição possa favorecer o Partido Alternativa para a Alemanha, de ultradireita, que conseguiu entrar pela primeira vez no Parlamento e já começou a pedir um novo pleito.

Trauma de coalizão

Responsáveis pelo fracasso nessas negociações, os liberais governaram em coalizão com Merkel em seu segundo mandato (de 2009 até 2013). Mas, assim como os social-democratas, foram punidos nas urnas e ficaram de fora da última Legislatura. Só voltaram ao Parlamento nas últimas eleições com a ajuda do líder Christian Lindner, que conseguiu tirar o partido do fundo do poço. Mas o trauma da coalizão ficou.

No domingo, por volta da meia-noite, Lindner apareceu sozinho diante do dos repórteres para dizer que os liberais estavam fora das negociações. Disse que é melhor não governar do que fazer um governo ruim.

A pequena legenda, porém, já está sendo criticada por ter se retirado das negociações. E pode sair arranhada deste episódio. Para a maioria dos alemães, a culpa por esse fracasso é justamente dos liberais.

Merkel também sofre desgaste

Parte desse insucesso pode ser debitado também na conta de Merkel, que sai enfraquecida do episódio. Com fama de boa negociadora, dessa vez ela não conseguiu costurar um acordo depois de quatro semanas de exaustivas discussões, em busca de pontos em comum para questões como refugiados, impostos e clima.

Depois de 12 anos no poder, ela corre o risco de não conseguir cumprir o seu quarto mandato. Mas já declarou que prefere disputar novas eleições a ter que governar sem maioria, porque a Alemanha “precisa de um governo estável”.

Para a Europa, é mais um motivo de tensão, em meio à ascensão de populistas de direita, negociações do Brexit, e a ameaça dos separatistas da Catalunha, na Espanha.

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