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Alemanha: negociações para formar coalizão são imprevisíveis

Uma semana depois do fracasso nas negociações para formar uma coalizão entre conservadores, Verdes e os liberais, o futuro político da Alemanha continua indefinido. A chanceler Angela Merkel, que não deseja novas eleições, nem quer governar sem maioria, aposta agora todas as fichas numa possível aliança com os social-democratas, do SPD.

Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

A proposta de aliança será discutida nesta quinta-feira, 30, entre a chanceler alemã e o líder do SPD, Martin Schulz, seu grande rival nas últimas eleições. O encontro, que será mediado pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, vai contar ainda com Horst Seehofer, líder do CSU – legenda que representa os conservadores na Baviera. Antes dessa reunião, direção do partido da chanceler se reúne nesta segunda-feira (27) para discutir as possibilidade de formar um governo.

Se a aliança vingar, será a terceira vez que os conservadores vão governar com os social-democratas numa grande coalizão, sob a liderança de Merkel, que teria assim uma confortável maioria no Parlamento. Os dois partidos da base conservadora de Merkel, o CDU e o CSU, e os social-democratas, tiveram perdas históricas nas eleições gerais de setembro. Mas ainda têm, juntos, 399 cadeiras – num total de 709. Com isso, poderiam aprovar, sem susto, as decisões do Executivo junto ao Parlamento.

Maioria aprova

A proposta agrada aos eleitores alemães. Segundo pesquisa divulgada pelo tablóide Bild am Sonntag, 52% dos alemães estão a favor da grande coalizão – contra 39% que rejeitam a ideia. Mas é difícil prever como essas negociações vão avançar. A cúpula do SPD parece ter começado a ceder. Ainda há, no entanto, muitas vozes dissidentes. A ala jovem, por exemplo, está radicalmente contra. Para eles, está claro que nessa terceira edição da Groko – como é chamada a grande coalizão com Merkel - o SPD só tem a perder.

Uma alternativa para os social-democratas, que já vem sendo levantada por alguns políticos, seria negociar uma espécie de ‘acordo de tolerância’ com os conservadores, para ajudar a dar estabilidade e sustentar um governo de minoria liderado por Merkel. Qualquer que seja a decisão, no entanto, uma coisa é certa: ela terá que ser submetida à aprovação dos filiados do SPD, como garantiu Schulz.

A pressão para uma mudança de curso do SPD – que vinha se negando a discutir uma grande coalizão – veio do presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier. Na semana passada, Steinmeier fez uma série de reuniões com líderes partidários – inclusive do seu próprio partido, o SPD, em busca de saídas. E cobrou deles a responsabilidade por tirar a Alemanha desse impasse. Na sexta, os social-democratas finalmente aceitaram discutir uma possível aliança com Merkel.

Caso essas negociações também fracassem, Steinmeier deve tentar formar um governo de minoria, indicando um nome para chanceler. Uma alternativa que traria muitos sobressaltos à Merkel – caso ela fosse realmente reeleita chefe de governo – já que as negociações no Parlamento seriam mais lentas e complexas. Não por acaso, Merkel declarou inicialmente que preferia novas eleições a ser obrigada a liderar um governo de minoria. No último sábado, porém, mudou o tom e disse que seria errado voltar às urnas.

Se negociações falharem, tudo pode acontecer

Se tudo falhar, e a Alemanha tiver fazer novas eleições, o resultado é imprevisível. Alguns políticos apostam que o fiasco para conservadores e social-democratas poderia ser ainda maior.

Eles temem ainda que novas eleições possam beneficiar a AfD - o partido de ultradireita que conseguiu entrar no Parlamento pela primeira vez em setembro com seu discurso xenófobo, anti-imigração e com críticas aos partidos tradicionais – como os da base de Merkel e o próprio SPD. Não é, porém, o que mostra uma pesquisa divulgada pelo jornal Bild. Nela, a AfD aparece com queda de dois pontos. E conservadores e social-democratas com ligeira vantagem.

Se a grande coalizão vingar, no entanto, a AfD terá ainda mais motivos para comemorar. Com a ida do SPD para o governo, a legenda passaria a ser a primeira na linha da oposição no Parlamento.

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