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Denúncias de abusos sexuais chegam à Academia Sueca

Na Suécia, o movimento #MeToo, deflagrado a partir das alegações de assédio sexual em Hollywood, provoca uma onda manifestos femininos que já causaram o afastamento de diversos homens em posições de poder na esfera política, midiática e cultural. As denúncias chegaram até à Academia Sueca, responsável pela escolha anual do Prêmio Nobel de Literatura. 

Claudia Wallin, correspondente da RFI em Estocolmo

Desde o início da campanha #MeToo, lançada em outubro nas redes sociais após o escândalo sexual envolvendo o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, o movimento vem produzindo na Suécia denúncias quase diárias de assédio abusos sexuais sofridos por mulheres. Mais de 200 depoimentos já foram publicados na campanha. 

A força do movimento está produzindo consequências significativas: sob pressão das denúncias, personalidades da política, da mídia e do mundo cultural renunciaram ou foram demitidos dos seus cargos nos últimos dias. 

Assédio em todos os empregos

Em um dos depoimentos, uma advogada sueca contou que teve três empregos desde que se formou, e que em todos eles sofreu assédio de homens que tocaram ou tentaram tocar seu corpo. A primeira vez aconteceu quando ela foi a um jantar da empresa, e um conhecido jurista tocou seus seios e a parte interna de suas coxas. “Meu chefe, que estava sentado diante de nós, riu da situação”. 

Em outro depoimento, uma atriz, que preferiu não revelar o nome, conta: “Eu ia representar um personagem em uma cena de sexo, durante a qual eu deveria sentar sobre um ator. Durante os ensaios, ele perguntou se poderia sugar o leite de meus seios (ele sabia que eu estava amamentando meu bebê na época), enquanto pressionava seu pênis contra meu corpo.” 

A própria ministra sueca das Relações Exteriores, Margot Wallström, confirmou que sofreu assédio sexual durante um jantar na União Europeia, quando um homem sentado ao seu lado tocou em sua perna. 

Afastamentos e demissões

A Academia Sueca anunciou o fim de todas as ligações profissionais com um homem definido pela imprensa sueca como uma grande personalidade do mundo cultural, que há anos desenvolvia atividades em cooperação com a instituição e que foi acusado de assédio por uma série de mulheres do movimento #MeToo. 

No entanto, os primeiros alvos da campanha mundial #MeToo na Suécia foram personalidades da mídia, denunciadas em um manifesto assinado por mais de quatro mil mulheres jornalistas. Apresentadores e chefes de veículos como a TV pública SVT, o canal de televisão TV4, a rádio pública SR  e o jornal Aftonbladet foram afastados de suas funções, assim como o presidente do canal educativo UR, Christel Tholse Willers. 

Na política, o movimento iniciado por mais de 1.300 mulheres sob a hashtag #imaktenskorridorer (#noscorredoresdopoder) já causou a renúncia de um alto quadro do Partido Moderado na capital sueca, e a demissão do social-democrata Roger Mogert, um dos mais poderosos representantes do partido na Prefeitura de Estocolmo. 

Um porta-voz do Partido Moderado encorajou todas as mulheres que já sofreram algum tipo de abuso por parte de homens da agremiação a apresentarem queixas à polícia. 

No mundo da cultura, o Teatro Real de Estocolmo chegou a cancelar apresentações de uma peça para investigar acusações sobre atitudes machistas e agressivas reveladas em um manifesto assinado por 453 atrizes contra um ator cujo nome não foi revelado publicamente.

Assédios e agressões em todos os setores

A onda de manifestos inclui, entre outras, petições assinadas por 4.500 juristas, 2.300 atletas, quase cinco mil trabalhadoras do setor de construção, 1 139 mulheres da área técnica, 653 cantoras clássicas e do mundo da ópera e quase duas mil artistas da música - entre elas a cantora pop sueca Robyn.

Diante da magnitude do protesto feminino, o Ombudsman sueco para questões de Discriminação também anunciou a abertura de investigações sobre acusações de assédio sexual em cerca de 40 empresas de diversos setores. 

A mobilização se fortalece a cada dia. Novos manifestos do movimento sueco da campanha #MeToo são esperados, e mais de 1.700 estudantes também começam a revelar casos de sexismo nas escolas suecas.

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