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Vladimir Putin será candidato para um quarto mandato em 2018

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O presidente russo Vladimir Putin anunciou que será candidato às eleições presidenciais de 2018 REUTERS/Sergei Karpukhin

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira que vai se candidatar para as eleições de março de 2018 para tentar um quarto mandato como chefe de Estado, o que o manteria no poder até 2024.


O anúncio encerra vários meses de suspense do Kremlin sobre as intenções de Putin, no poder sem interrupção como presidente ou primeiro-ministro há mais de 17 anos.

"Eu anuncio minha candidatura para o cargo de presidente da Rússia", declarou Putin durante um encontro com operários de uma fábrica na cidade de Nijni Novgorod, transmitido ao vivo pela televisão.

"A Rússia continuará a avançar e, nesse movimento para frente, ninguém irá nos parar", disse ele.

"É sempre uma decisão muito importante para qualquer pessoa, porque a motivação deve vir apenas da vontade de melhorar a vida neste país, de torná-lo mais poderoso e melhor protegido", acrescentou o presidente.

"Mas isso só pode ser alcançado com uma condição: se o povo confiar em você e lhe apoiar", acrescentou, antes de perguntar à multidão: "se eu tomar essa decisão, terei o seu apoio e o daqueles que lhes são próximos? "

A multidão respondeu com um sonoro "Sim!", sob uma chuva de aplausos.

Muitos russos elogiam Putin, que se tornou presidente em 2000 em um país de poder instável e economia enfraquecida, por ter restabelecido a estabilidade e prosperidade na Rússia, graças a um importante maná de petróleo que durou anos.

Seus críticos o repreendem por um recuo claro nos direitos humanos e nas liberdades.

Jogos Olímpicos

Enquanto isso, nesta mesma quarta-feira (6), Putin declarou que a Rússia não boicotará os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 nem impedirá os atletas russos que queiram participar de ir. A declaração do presidente russo veio em seguida à decisão do Comitê Olímpico Internacional de suspender o país dos jogos por conta de doping institucionalizado.

"Sem dúvida, não vamos bloquear, não vamos impedir que nossos atletas participem nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang (9 a 25 de fevereiro)”, disse ele.

Mas para Vladimir Putin, que reitera que “devemos condenar apenas os culpados, implicando apenas atletas positivos”, a decisão do COI é "fabricada e politicamente motivada".

"O importante é que, nas conclusões da Comissão (executiva do COI), está escrito que não havia um sistema de apoio ao doping governamental”, o presidente russo acrescentou na quarta-feira.

De acordo com o relatório do jurista canadense Richard McLaren, encomendado pela AMA, o doping institucionalizado foi, no entanto, criado na Rússia com o envolvimento do Ministério dos Esportes, das autoridades russas antidoping e dos serviços secretos (FSB) entre 2011 e 2015 .

"Nunca dei a ordem, por exemplo, ao Ministério dos Esportes ou a outras organizações, para ganhar os Jogos, nunca houve tal missão", Putin se defendeu.

"A maioria das acusações baseia-se em fatos para os quais não há provas", disse o presidente russo, atacando Grigory Rodchenkov, ex-chefe do laboratório antidoping de Moscou, que se tornou o denunciante na origem das revelações, de quem ele questionou a saúde mental.

Putin, no entanto, reconheceu que seu país era "culpado em parte" pela decisão do Comitê Olímpico Internacional de banir a Rússia.

O número e a identidade dos atletas russos que provavelmente participarão dos Jogos Olímpicos só serão conhecidos após a próxima reunião do Comitê Olímpico Russo (ROC), agendada para 12 de dezembro.

A maioria dos atletas russos, apesar de tristes com a decisão do COI, deseja participar dos Jogos de Pyeongchang. "Se eu estivesse em seu lugar, eu iria às Olimpíadas", disse a legenda de patinação artística Evgeni Plushenko, citado pela TASS, se dizendo mesmo "satisfeito com a decisão do COI porque poderia ter sido pior".