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Itália UNESCO Patrimônio pizza

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Pizza napolitana vira patrimônio imaterial da Unesco

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Uma pizza napolitana. Flickr

A arte dos "pizzaiolos" napolitanos, que deu fama mundial a essa especialidade da cozinha italiana, entrou nesta quinta-feira (7) para a lista de Patrimônio Imaterial da Humanidade da Unesco.


A decisão foi adotada pelo Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, que se reúne desde segunda-feira na ilha de Jeju, na Coreia do Sul.

Dois milhões de pessoas assinaram a petição mundial para apoiar a candidatura dessa arte praticada atualmente em Nápoles por quase 3.000 'pizzaiolos" e que, segundo os promotores da iniciativa, "desempenha um papel essencial na vida social e na transmissão entre gerações".

"Para nós é como ganhar a Copa do Mundo", reagiu Gennaro Gattimolo, um pizzaiolo de 57 anos, com as mãos cobertas de farinha em seu restaurante em Nápoles. Assim como ele, muitos cozinheiros acenderam seus fornos nesta quinta-feira nessa cidade do sul da Itália e ofereceram porções de pizza grátis aos passantes para comemorar.

O presidente da associação de pizzaiolos napolitanos, Sergio Miccù, havia prometido comemorar a eventual entrada de sua arte na lista de patrimônio imaterial com a distribuição de pizzas nas ruas.

Além do espetacular manejo da massa, essa habilidade culinária, iniciada no século XVI, associa canções, sorrisos, técnica e espetáculo, ressaltava a candidatura italiana.

"Vitória!", escreveu no Twitter Maurizio Martina, o ministro italiano da Agricultura. "Identidade enogastronômica italiana cada vez mais defendida no mundo", completou.

"Longa vida à arte do pizzaiolo napolitano!", tuitou Pecoraro Scano, que já foi ministro da Agricultura.

Origens

Quando as primeiras pizzas surgiram em Nápoles, tratava-se de pães concebidos como uma maneira rápida e barata de alimentar as multidões, segundo o historiador Antonio Mattozzi.

A tradição se desenvolveu e as primeiras pizzarias apareceram no final do século XVIII. Mas foi necessário quase um século para que saíssem de Nápoles.
   
A prática culinária consiste em preparar em quatro etapas a massa de uma pizza e assá-la no forno a lenha.

Segundo a famosa pizzaria Brandi de Nápoles, a massa feita de farinha, água, fermento e sal deve descansar 24 horas antes de ser esticada. Em seguida, espalha-se sobre a massa molho de tomate, queijo mozzarela de búfala e manjericão, antes de levá-la ao forno a 485°C entre 60 e 90 segundos.

Sem abacaxi, per favore!

Em suas recomendações, os pizzaiolos alertam para o que não deve ser feito: esticar a massa com rolo, congelar o produto ou acrescentar abacaxi.

De acordo com o Coldiretti, principal sindicato agrícola italiano, cinco milhões de pizzas são consumidas todos os dias na Itália, entre uma população de 60 milhões de pessoas. O setor representa um volume de negócios anual de €12 bilhões.

Mas os americanos são os principais consumidores de pizza no mundo, com 13 kg por pessoa por ano, em comparação com os italianos - campeões europeus - com 7,6 kg, enquanto os espanhóis consumem 4,3 kg e franceses e alemães, 4,2 kg.

Cerveja e ioga

A lista de patrimônio imaterial, criada em 2003, contava antes da reunião deste ano com mais 365 tradições ou expressões vivas, entre elas a capoeira do Brasil, o flamenco espanhol, a cerveja belga, a filosofia milenar da ioga, entre outras.

O comitê deve examinar 34 candidaturas nesta semana. Cinco tradições latino-americanas já entraram na lista: os cantos de trabalho do Llano colombiano-venezuelano, a Feira de Alasita na Bolívia, o ponto cubano, o sistema peruano de juízes de água de Corongo e as técnicas artesanais do sombreiro pintao panamenho.