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Um ano após atentado de Feira de Berlim, famílias criticam falhas de segurança

No primeiro aniversário do ataque contra um mercado de Natal de Berlim, que matou 12 pessoas e feriu mais de 70, a capital alemã inaugura nesta terça-feira (19) um monumento homenageando as vítimas do pior atentado terrorista já ocorrido na Alemanha. As investigações revelaram falhas graves das autoridades de segurança alemãs.

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

As cerimônias acontecem durante todo o dia. A feira de Natal onde ocorreu o ataque com um caminhão, situada na praça Breitscheidplatz, permanecerá fechada hoje durante todo o dia. A área em torno do mercado foi cercada de um forte esquema de segurança. Pela manhã, será organizada uma cerimônia na igreja Memorial do Imperador Guilherme, que fica no local do atentado.

Por volta do meio-dia, a chanceler alemã Angela Merkel inaugurará um monumento em homenagem às vítimas. A obra tem o formato de uma rachadura dourada de 14 metros de comprimento no chão na praça onde a tragédia ocorreu e inclui o nome e os países de origem das vítimas mortas no ataque, gravados nos degraus de uma escada.
 
De tarde, acontecem cerimônias na câmara municipal de Berlim e também na própria praça onde ocorreu o atentado. Às 20h02 da noite, momento em que ocorreu o atentado, os sinos da Igreja Memorial do Imperador Guilherme tocarão durante 12 minutos e as pessoas deverão fazer uma corrente de velas em torno da igreja. Três manifestações também foram marcadas para a tarde de hoje no local, um delas do partido de extrema-direita NPD.

Merkel se encontra com famílias das vítimas
 
Cerca de 80 pessoas estiveram com Angela Merkel na noite de ontem. No encontro, que durou três horas, uma a mais do que o previsto, a chanceler conversou com os parentes das vítimas e prometeu uma nova reunião ainda neste ano. O compromisso foi antecedido por críticas severas dos parentes das vítimas em relação a Merkel e ao governo alemão.
 
Há duas semanas, os parentes das vítimas do atentado de Berlim divulgaram uma carta que acusam a chanceler alemã de não ter se solidarizado com os familiares das vítimas de forma mais personalizada, sem ter dado condolências. Embora Angela Merkel tenha chegado ao local do atentado no dia seguinte, nunca atendeu pessoalmente às famílias das vítimas.

Nenhuma cerimônia de homenagem foi celebrada na Alemanha, ao contrário do que fez a França após os atentados de 13 de novembro de 2015. Além disso, os parentes das vítimas criticam a inércia política do governo alemão e afirmam que seus parentes morreram por causa das graves falhas cometidas pelas autoridades de segurança.

Doze meses depois do ocorrido, os alemães ainda se perguntam como é possível que o extremista islâmico tunisiano Anis Amri ainda estivesse em liberdade e tenha conseguido roubar um caminhão e avançar com ele contra uma feira de Natal.

Amri era fichado há anos pela polícia alemã e acusado de tráfico de drogas. O tunisiano já tinha sido preso na Itália e detido na Alemanha. Mesmo assim, as autoridades não conseguiram extraditá-lo e permitiram que ele continuasse solto.

Autor frequentava mesquita salafista

Outro relatório assegura que existia "uma oportunidade real" de prender o tunisiano, que costumava visitar uma mesquita salafista de Berlim antes do ataque.Segundo o jornal Die Welt, a polícia vigiava Anis Amri um ano antes do atentado por suspeita de atividades extremistas.

Suspeita-se inclusive que a polícia de Berlim falsificou a posteriori certos informes de vigilância de Anis Amri, enquanto que suas atividades talvez pudessem justificar sua prisão.

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