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Catalunha: eleições não devem acabar com a crise na região

As eleições na Catalunha acontecem dois meses depois da declaração unilateral de independência feita pelo governo de Carles Puigdemont e da sua imediata destituição feita pelo governo de Mariano Rajoy. De acordo com as últimas pesquisas e a maioria das análises, caso os partidos não consigam fazer alianças depois desse pleito, novas eleições podem ser convocadas.

Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

As eleições desta quinta-feira (21) são atípicas: uma parte dos candidatos separatistas está na prisão, outra fora do país e as instituições da Catalunha estão sendo administradas em Madri.

As opções políticas estão polarizadas entre separatistas e constitucionalistas, ou seja,contrários à independência. Se não houver surpresa de última hora, nenhum partido dos sete concorrentes vai conseguir as 68 cadeiras necessárias para ter a maioria absoluta no Parlamento catalão.

O movimento separatista sabe que não pode se desligar da Espanha unilateralmente e os partidos constitucionalistas não podem desconsiderar o desejo de mais de dois milhões de catalães que querem que a Catalunha seja uma República independente.

O contexto é complexo. Para a situação voltar à normalidade, a Catalunha deve voltar a ser governada pelos seus candidatos eleitos e o famoso artigo 155 aplicado pelo governo de Mariano Rajoy para suspender o governo de Carles Puigdemont deve ser desativado.

Participação deve ser recorde

É esperado um recorde histórico de participação, que deve girar em torno dos 80%, o que poderia favorecer o bloco dos candidatos contrários à independência.

A campanha eleitoral no entanto terminou com muitos indecisos: de acordo com uma recente pesquisa do GESOP (Gabinete de Estudos Sociais e Opinião Pública), dos mais de cinco milhões e meio de catalães chamados às urnas, 27% estavam em dúvida sobre em quem iriam votar durante a campanha eleitoral.

Apesar desse cenário, os partidos deverão fazer o impossível para evitar novas eleições, o que agravaria a crise institucional e aumentaria a fuga das empresas. Mais de 3 mil já mudaram sua sede da Catalunha.

A situação pode ser reversível se os partidos chegarem a acordos que permitam a volta da normalidade institucional na Catalunha, a região mais rica da Espanha, responsável pelo 19% do PIB nacional e líder nos setores da exportação, indústria, pesquisa e turismo.

Candidata separatista ganha força

O que mais preocupa os separatistas é a possibilidade da vitória do partido Cidadãos. Sua candidata, Inés Arrimadas, a jovem política andaluza que lidera o partido Cidadãos na Catalunha, disparou na intenção de voto das últimas sondagens, superando inclusive o histórico partido separatista ERC que vinha sendo o líder.

Nenhuma pesquisa garantiu a governabilidade de nenhum dos sete partidos concorrentes e todos sabem que vão ter que fazer alianças. O bloco constitucionalista foi formado pelos partidos que apoiaram a intervenção da Catalunha: o conservador Partido Popular do primeiro-ministro Mariano Rajoy, o novo partido da direita Cidadãos, considerado mais à direita que o PP e o partido socialista da Catalunha (PSC).

No bloco separatista estão o partido Esquerda Republicana da Catalunha ERC, o Juntos pela Catalunha, liderado por Carles Puigdemont, o presidente destituído da Catalunha que está atualmente na Bélgica e o partido de extrema-esquerda CUP (Candidatura da Unidade Popular).

No meio, entre um bloco e outro, está o partido Catalunha em Comum. Um partido jovem de esquerda contrário à independência, surgido do movimento social 15M, que defende um referendo negociado com o governo espanhol. É o partido da prefeita de Barcelona, Ada Colau. As pesquisas apontam Catalunha em Comum como um dos partidos que vai disputar a governabilidade da Catalunha com o Partido Socialista buscando alianças.

Até o final da campanha nem Catalunha em Comum nem o Partido Socialista admitiram fazer acordos entre si. Cidadãos e PP previsivelmente vão se apoiar. A dúvida é se o PSC vai continuar alinhado com os partidos da direita, PP e Cidadãos, ou se vai ter o jogo de cintura suficiente para sair do bloco que promoveu o artigo 155 e buscar acordos com a esquerda.

Situação de Puigdemont

Puigdemont apostou todas as fichas numa só carta: a de ser o mais votado para voltar à Catalunha como presidente do Governo catalão (Generalitat) e provar que a aplicação do artigo 155 de Rajoy não acabou com o independentismo. Ele não considera não ganhar as eleições e ninguém se aventura a prever o que ele vai fazer caso isso aconteça.

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