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Merkel e Schulz prometem “esforços” para formar governo na Alemanha

A chanceler Angela Merkel e o líder do partido social-democrata, Martin Schulz, prometeram neste domingo (7) uma "nova política" na Alemanha, dando início às negociações para formação de um novo governo para tentar tirar, finalmente, o país do impasse. As discussões começam 100 dias depois das eleições gerais que mergulharam o país num impasse e vão até quinta-feira (12).

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

"Não podemos simplesmente continuar como antes: os tempos são outros e requer uma nova política”, declarou um dos responsáveis do partido social-democrata, Lars Klingbeil, que falou também em nome do CDU, de Merkel e do CSU, os três partidos envolvidos nas negociações. O partido de Merkel venceu as eleições de setembro, mas amargou o pior resultado desde 1949, principalmente por causa do bom desempenho da extrema-direita, inédito na paisagem política alemã. Ainda não é possível antecipar o resultado dessas discussões.

Caso os sociais-democratas topem apoiar Merkel, estariam continuando a parceria que já tem governado a Alemanha desde 2013. É exatamente isso que os sociais-democratas disseram não estarem mais dispostos a fazer e, depois de também terem amargado perdas históricas nas últimas eleições, tinham optado em ir para a oposição.

Sem acordo com verdes

O problema é que Merkel não conseguiu chegar a um acordo com o verdes e liberais, e os sociais-democratas foram chamados à mesa de negociações mas ainda não aceitaram continuar governando com Merkel. As consultas começam, como eles dizem, com resultado em aberto. O partido de Schulz aceitou em conversar com os conservadores – algo que antes nem estavam dispostos - sobretudo pelo perigo que novas eleições podem representar em termos de instabilidade política para o país.

As consultas iniciadas neste domingo vão durar cinco dias e os participantes vão decidir se têm pontos suficientes em comum para negociar uma coalizão.Os sociais-democratas já avisaram que não estão dispostos a continuar a parceria com os conservadores da mesma forma que vinham fazendo até agora, eles querem mudanças.

Como exatamente serão essas mudanças, ainda ninguém sabe. Os analistas acreditam ser grande a pressão sobre o partido de Merkel para que ele ceda em certos pontos e que os sociais-democratas vão querer vender caro a participaçao deles no governo.

Política migratória

Entre as maiores discórdias, está a política migratória. Enquanto os sociais-democratas são favoráveis à flexibilização da política para os migrantes, os conservadores querem endurecer as regras, para agradar o eleitorado tradicional, mais à direita, e voltarem a recuperar votos perdidos para a extrema-direita.

Há quem diga que, mesmo que Merkel consiga fechar uma coalizão de governo, ela não terminaria esse mandato e que o fim do chamado “merkelismo” já está próximo.Mas pesquisas de opinião recentes apontam que ela ainda é vista como uma boa chefe de governo por 65% dos eleitores. A convocação de novas eleições não está descartada, mas é a pior alternativa possível. A outra possibilidade seria um governo de minoria, outra hipótese que não agrada ninguém.

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