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Dieselgate: testes com humanos e macacos colocam indústria automotiva em xeque

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As marcas de automóveis alemãs Volkswagen, BMW e Daimler realizaram testes em laboratório, utilizando gases tóxicos, com cobaias humanas e macacos. Patrick Pleul / dpa / AFP

O governo alemão "condena" os testes realizados em nome dos fabricantes de automóveis alemães sobre seres humanos e macacos, revelado nos últimos dias pela imprensa, afirmou nesta segunda-feira (29) o Ministro dos Transportes e Agricultura da Alemanha, Christian Schmidt.    


"Após o escândalo dos motores diesel manipulados, esses dois novos casos mostram que a confiança na indústria automotiva está novamente danificada", acrescentou o ministro, que pediu à comissão de inquérito encarregada do "dieselgate" para também examinar essas acusações.    

"Eu não entendo isso, esses deveriam apenas para servir à promoção dos fabricantes de automóveis, não podemos e não vamos aceitamos isso", disse o ministro.   

Ele pediu "explicações" dos grupos envolvidos, os gigantes alemães Volkswagen, BMW, Daimler e o fabricante de equipamentos Bosch, que juntos financiaram a organização EUGT (Associação Europeia de Investigação para o Ambiente e a Saúde no Sector dos Transportes), por trás de dois controversos programas de pesquisa.    

O primeiro, revelado pelo New York Times, trata de testes realizados nos Estados Unidos em macacos em 2014, trancados em um lugar fechado e assistindo a de desenhos animados enquanto respiravam a fumaça emitida por um Beetle, sucessor do Ladybug, modelo emblemático da Volkswagen.    

O objetivo era "provar que os veículos diesel mais novos são mais limpos do que os modelos mais antigos", disse o jornal, um argumento fundamental para as montadoras entrarem no mercado norte-americano.   

Muito distinto, o segundo caso é sobre testes na Alemanha com seres humanos, revelado segunda-feira pelos jornais Stuttgarter Zeitung e Süddeutsche Zeitung.    

Um instituto hospitalar em Aachen, mandatado pela EUGT, fez com que 25 pessoas em bom estado de saúde inalassem dióxido de nitrogênio (NO2) em 2013 e 2014 em várias concentrações, detalham os dois jornais.    

Este estudo "não tem nada a ver com o escândalo do diesel", que atinge por dois anos muitos fabricantes, incluindo a Volkswagen, não mais do que com testes em macacos, defendeu segunda-feira o instituto.    

O objetivo, segundo o instituto, era medir o efeito da exposição ao NO2 no local de trabalho, "por exemplo para motoristas de caminhões, mecânicos ou soldadores", para recomendar uma possível redução dos limiares regulatórios.