rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Paris Bruxelas Jihadista Terrorismo Ataques Atentado em Nice

Publicado em • Modificado em

"Não tenho medo de vocês", diz único jihadista vivo que participou dos ataques de Paris

media
Chegada do advogado de Abdeslam, Seven Mary, ao Tribunal Correcional de Bruxelas nesta segunda-feira (5). REUTERS/Francois Lenoir

Salah Abdeslam, único integrante vivo das células jihadistas que atacaram Paris em 13 de novembro de 2015, se recusou a responder as perguntas do tribunal que o julga por um tiroteio na Bélgica em março de 2016, que culminou na sua captura. O julgamento começou nesta segunda-feira (5) antes das 9h00 (6h00 de Brasília) no Palácio da Justiça de Bruxelas.


Salah Abdeslam fez uma viagem de quatro horas entre a prisão de Fleury-Mérogis, situada no sul de Paris, e o tribunal em Bruxelas. O comboio policial foi escoltado por unidades de elite. Recusando-se a responder as perguntas, ele declarou : "Meu silêncio não faz de mim um criminoso. É a minha defesa", declarou, antes de citar Alá e o Islã. “É no meu senhor que coloco minha confiança. O que constato é que os muçulmanos sempre são tratados da pior maneira possível. Não tenho medo de vocês”, declarou o francês de origem marroquina.

"Você é Salah Abdeslam, nascido em Bruxelas em 15 de setembro de 1989?", perguntou a juíza que preside o processo, Marie-France Keutgen, no início da audiência. "Eu não quero responder nenhuma pergunta", afirmou Abdeslam. O advogado do réu, Sven Mary, informou que ele não autoriza suas imagens durante o processo. O réu se recusou inclusive a ficar de pé quando foi solicitado pela juíza.

Salah Abdeslam, único integrante vivo das células jihadistas que atacaram Paris em novembro de 2015, comparece nesta segunda-feira no tribunal correcional de Bruxelas. Esboço do 05/02/18 REUTERS/Yves Capelle

Desde sua detenção na França em abril de 2016, Abdeslam manteve o silêncio diante dos investigadores. O processo julga o tiroteio ocorrido em Forest em março de 2016, que deixou três policiais feridos, mas é considerado um preâmbulo do julgamento que acontecerá na França, sem data definida, pelos atentados de Paris que deixaram 130 mortos.

Dispositivo de segurança

As autoridades organizaram um importante dispositivo de segurança, dentro e ao redor do Palácio de Justiça. O francês de 28 anos e de origem marroquina, que cresceu e se radicalizou no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, fazia parte de uma célula jihadista envolvida em ao menos três grandes operações terroristas nos últimos anos.

Chegada de Abdeslam, ao Tribunal Correcional de Bruxelas nesta segunda-feira (5). REUTERS/Yves Herman

Os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris (130 mortos), os de 22 de março de 2016 em Bruxelas (32 mortos) e o fracassado ataque em um trem entre Amsterdã e Paris em agosto de 2015 foram de responsabilidade, "talvez, unicamente da organização Estado Islâmico", segundo a Procuradoria federal belga.

Abdeslam é julgado esta semana por um fato ocorrido em 15 de março de 2016, dia em que investigadores franceses e belgas foram surpreendidos por tiros durante uma operação de rotina em um dos abrigos da célula em Forest. Três policiais ficaram feridos e um jihadista, de origem argelina, de 35 anos, Mohamed Belkaid, morreu ao enfrentar a polícia para facilitar a fuga de Abdeslam e de um cúmplice, Sofiane Ayari, um tunisiano de 24 anos, que também será julgado em Bruxelas.

Os dois jihadistas foram detidos três dias depois, em 18 de março, em Molenbeek, uma prisão que, segundo os investigadores, representa o detonador dos atentados de 22 de março, quando três atacantes suicidas se explodiram no aeroporto e no metrô da capital belga.

Extremista trocou de advogado

A audiência, que deveria ter acontecido em meados de dezembro no tribunal correcional de Bruxelas, foi adiada para dar tempo a Sven Mary, o novo advogado de Abdeslam, preparar sua defesa. Um renomado criminalista belga acompanhou o jihadista logo depois de sua prisão, mas desistiu sete meses depois, criticando a incompreensível atitude de seu cliente.

Salah Abdeslam e Sofiane Ayari devem responder pelas acusações de "tentativa de assassinato de vários policiais" e "posse de armas proibidas", em "um contexto terrorista". Eles podem pegar até 40 anos de prisão. Abdeslam também será julgado na França pelos atentados de 13 de novembro de 2015.

Durante o processo, Abdeslam será conduzido todos os dias à prisão de Vendin-le-Vieil, no norte da França, onde tem as mesmas condições que na prisão perto de Paris, em regime de isolamento e sob vigilância 24 horas desde sua chegada, em abril de 2016.