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Teatro e dança levam clube de futebol da Suécia da quarta para primeira divisão

Por Adriana Moysés

A revista "M", do jornal Le Monde, traz esta semana uma reportagem que foge do comum no universo do futebol profissional. "M" conta a ascensão do clube sueco da cidade de Ostersund. O time saiu da quarta divisão, onde jogava até poucos anos atrás, para alcançar a elite depois de investir em um programa cultural para seus jogadores, com aulas de pintura, teatro, dança e música.

O segredo que levou o clube sueco OFK a disputar atualmente a Liga Europa, brigando por uma vaga nas oitavas de final contra o Arsenal, está na visão ambiciosa do presidente do clube, Daniel Kindberg. Ele aceitou implantar a ideia proposta pela dona de uma agência de comunicação, Karin Walhén, filha de um ex-dirigente da equipe, e associou ao projeto o talento do técnico britânico Graham Potter.

Há oito anos, a pequena equipe de Ostersund, cidade de 50 mil habitantes no centro da Suécia, a 550 km de Estocolmo, viu o presidente do clube lançar como desafio a qualificação para a Liga dos Campeões. Mas como chegar lá? Ex-militar com forte espírito empreendedor, Kindberg "comprou" a proposta feita por Karin Walhén, que ouvia do pai: "Na falta de dinheiro, a cultura é um excelente meio de se adquirir segurança e desenvoltura", principalmente em situações em que as pessoas não se sentem à vontade". Um programa de motivação pessoal poderia, então, dar novo ânimo aos jogadores. O técnico Potter foi recrutado com a missão de estimular "a cultura do aprendizado, que foca o desenvolvimento do indivíduo e a coragem".

Assim, a partir de 2012, os jogadores do OFK começaram a preparar um projeto artístico para apresentação ao público todo final de temporada. Em paralelo aos treinos, eles faziam cursos de pintura, teatro, dança e canto. Conforme ganharam confiança ao exibir suas produções na cidade, foram acumulando vitórias nos gramados e evoluindo de divisão.

Cultura proporciona coragem

O presidente Kindberg explica que a imagem do jogador de futebol é associada à sua força, à sua capacidade de correr, driblar, chutar, mas o que conta na verdade é saber tomar a boa decisão. Segundo o dirigente, quanto menos um jogador estiver estressado, é maior a chance dele ser corajoso e criativo na busca de soluções audaciosas, assumindo riscos. "A cultura oferece essa plataforma", diz Kindberg.

O ex-zagueiro Bobo Sollander, 32 anos, hoje coach social do clube, conta à revista "M" que esse programa cultural "possibilita uma viagem interior". "Muitos jogadores deixaram a escola cedo, passam horas jogando videogames na frente do computador, mas isso não significa que sejam idiotas", argumenta.

A coach cultural Karin Walhén acrescenta: "Um projeto artístico exige que as pessoas olhem para si mesmas e enfrentem seus medos. Quando elas conseguem, tornam-se corajosas e capazes de pensar grande. É o que os jogadores do Ostersund fazem."

No final de 2017, depois de aprenderem detalhes sobre a cultura de um povo autóctone da região, o time encerrou o ano fazendo um show de rap para 2 mil pessoas.

No jogo de ida da Liga Europa, no dia 15 de fevereiro, o clube sueco perdeu do Arsenal por 3 a 0, mas ainda acredita que no dia 22, no jogo de volta, valendo uma vaga para as oitavas de final, uma revanche é possível.

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