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Incertezas e ascensão da extrema-direita marcam eleição na Itália

Diante de um cenário de incertezas e o crescimento da extrema-direita, a Itália vota para renovar a Câmara dos Deputados e o Senado no domingo (4), mas sem nenhuma garantia sobre um novo governo. Em duas regiões, Lázio e Lombardia, onde ficam Roma e Milão, também serão eleitos os presidentes regionais. 

Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma 

O clima na Itália a apenas dois dias da eleição é de apatia e desinteresse. Os italianos viram uma campanha que se concentrou na questão dos migrantes – que não é o principal problema do país e que não abriu espaço ao debate construtivo. 

O tema da imigração dominou a agenda de todos os candidatos, principalmente os de direita. Pouco se ouviu falar em novas propostas políticas que possam alavancar o crescimento da Itália, que finalmente está deixando para trás uma década de crise, com um PIB positivo de 1,5% no ano passado. 

A indústria da quarta economia da Europa voltou a crescer 4,9% em 2017, mas ainda sem gerar empregos. A falta de perspectivas positivas para uma sólida recuperação econômico-social abriu espaço para discursos populistas.

Pesquisas apontam para crescimento da extrema-direita

As últimas pesquisas, publicadas em 16 de fevereiro, são incoerentes, mas demonstram um crescimento da extrema-direita, representada pela Liga, cuja base eleitoral está no norte do país. As sondagens revelaram que ela teria ultrapassado o Força Itália, que ressuscitou Silvio Berlusconi. Mesmo inelegível, a sigla apostou na força já não tão vital de seu nome. Essa coalizão de direita poderia se aproximar dos 40% necessários para formar o governo. 

A centro-esquerda, liderada pelo atual governo do Partido Democrático e do ex-premiê Matteo Renzi, não deverá obter percentuais necessários para formar o executivo. 

As propostas populistas deverão fazer do Movimento 5 Estrelas o partido isolado mais votado, o que não quer dizer que terá a maioria para governar. Sem um perfil definido, caso obtenha cadeiras decisivas no Parlamento, a legenda poderia trair o próprio princípio fundamental de não se coligar e, para indicar o primeiro-ministro, formaria uma coalizão com a direita. 

Contudo, a grande surpresa poderá ser a lista Mais Europa, encabeçada pela histórica líder do partido radical e ex-ministra Relações Exteriores, Emma Bonino. Ela poderá dar uma sobrevida à centro-esquerda.

Importante abstenção prevista

Como o voto não é obrigatório na Itália, as previsões de participação dos italianos nesta eleição são baixas. Sobretudo entre os jovens de 18 a 24 anos, que têm direito a votar somente para a Câmara dos Deputados. De acordo com pesquisas, eles não se sentem representados por nenhum candidato. 

Além disso, as últimas sondagens falam de um percentual de abstenção de mais 30%, o que equivale a cerca de 16 milhões de eleitores. Já os indecisos são quase 7 milhões de eleitores, resignados ou sem esperança, que poderão determinar vitórias e derrotas partidárias. 

Se nas últimas eleições, há cinco anos, 75% dos eleitores votaram, as previsões é que este ano esse percentual não ultrapasse os 70%.

Partidos investem nas redes sociais 

Propagandas pagas pelos partidos fervilham nas redes sociais italianas. Twitter, Instagram, Facebook: nenhuma das plataformas fica de fora das estratégias de marketing nessas últimas horas de campanha. 

Com a propaganda, também aparecem as “fake news”, informações claramente tendenciosas que procuram denegrir a imagem dos candidatos. Mas basta um pouco de atenção para identificar as notícias falsas. Elas são quase sempre divulgadas por contas fajutas, sem foto de perfil ou com imagens suspeitas, e sem conteúdo de arquivo. 

As "fake news" aumentam ainda mais a confusão em torno da eleição italiana, o que só atrapalha o processo democrático.
 

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