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Itália Eleição Silvio Berlusconi

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Itália: em dia de "silêncio eleitoral", Berlusconi faz caminhada em Napóles

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O líder do partido Força Itália, Silvio Berlusconi, acena para a população nas ruas de Nápoles, neste sábado (3). Carlo Hermann / AFP

Era para ser um dia de "silêncio eleitoral" na Itália, já que a campanha para as eleições legislativas terminou oficialmente à meia-noite deste sábado (3). Mas o líder do Foça Itália, Silvio Berlusconi, que integra a coalizão em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de voto, saiu às ruas de Nápoles, no sudoeste do país, onde realizou uma passeata. 


A imprensa italiana destaca neste sábado que Berlusconi, de 81 anos, desafiou a legislação e escolheu tomar "um banho de gente" nas últimas horas antes da votação, que será realizada no domingo (4). Ele caminhou pelas ruas do centro histórico de Nápoles, onde conversou e fez selfies com eleitores. 

Os sites dos jornais italianos mostram "Il Cavaliere", como é chamado no país, sorridente e cercado de pessoas. O líder conservador não se atreveu, no entanto, a fazer qualquer comentário sobre a eleição, já que a campanha terminou oficialmente à meia-noite deste sábado. 

Berlusconi aproveitou os holofotes da imprensa para comentar a beleza dos monumentos italianos. "Nenhum outro país pode competir conosco no quesito dos tesouros da arte", declarou na capela de Sansevero, diante de uma escultura de mármore de Cristo, da autoria de Giuseppe Sanmartino. 

Preferência do eleitorado italiano

A coalizão de direita/extrema direita da qual o Força Itália faz parte tem a preferência do eleitorado italiano, com 37% das intenções de voto.  No total, quatro siglas integram esse grupo, entre eles, a Liga, de extrema-direita, liderada pelo xenófobo Matteo Salvini. Em virtude de seu acordo interno, o partido ficar na liderança deve assumir o governo. 

Caso a Força Itália receba o maior número de votos, Berlusconi - proibido de assumir qualquer cargo público até 2019, após uma condenação por fraude fiscal - disse querer ver Antonio Tajani chefiando o governo. Mas o conservador, que é presidente do Parlamento Europeu, já declarou que não está preparado para deixar o cargo. 

Cenário confuso, alta abstenção é esperada

Cerca de 50 milhões de eleitores italianos estão convocados para renovar a Câmara dos Deputados e o Senado no domingo, mas sem nenhuma garantia de um novo governo. Em duas regiões, Lázio e Lombardia, onde ficam Roma e Milão, também serão eleitos os presidentes regionais. 

Diante de uma campanha eleitoral que se concentrou na questão da imigração e deixou de lado as propostas políticas para alavancar o crescimento do país, o clima entre os italianos é de apatia e desinteresse. Cerca de 10 milhões de eleitores afirmam ainda não ter escolhido seus candidatos. 

Como o voto não é obrigatório na Itália, as previsões de participação dos italianos nesta eleição também são baixas. Sobretudo entre os jovens de 18 a 24 anos, que têm direito a votar somente para a Câmara dos Deputados. De acordo com as últimas pesquisas de opinião, eles não se sentem representados por nenhum candidato. Por isso, acredita-se que o índice de abstenção deva chegar a 30%. 

Crescimento da extrema-direita

Publicadas em 16 de fevereiro, as últimas sondagens são incoerentes, mas demonstram um claro crescimento da extrema-direita, representada pela Liga, cuja base eleitoral está no norte do país. 

A centro-esquerda, liderada pelo atual governo do Partido Democrático e do ex-premiê Matteo Renzi, não deverá obter percentuais necessários para formar o executivo. 

As propostas populistas deverão fazer do Movimento 5 Estrelas o partido isolado mais votado, o que não quer dizer que terá a maioria para governar. Sem um perfil definido, caso obtenha cadeiras decisivas no Parlamento, a legenda poderia trair o próprio princípio fundamental de não se coligar e, para indicar o primeiro-ministro, formaria uma coalizão com a direita. 

Contudo, a grande surpresa poderá ser a lista Mais Europa, encabeçada pela histórica líder do partido radical e ex-ministra Relações Exteriores, Emma Bonino. Ela poderá dar uma sobrevida à centro-esquerda italiana. 

UE quer acordo entre partidos pró-europeus

Em caso de paralisação na Itália após as eleições legislativas, a União Europeia (UE) trabalha por um acordo de "grande coalizão" entre os partidos pró-Europa do país, que confirmaria o retorno ao cenário de Berlusconi. 

No fim de janeiro, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, recebeu "Il Cavaliere" como um amigo em Bruxelas. A chanceler alemã Angela Merkel, uma das principais vozes na Europa contra a permanência de Berlusconi no cargo do primeiro-ministro da Itália, em 2011, voltou a considerá-lo como um parceiro político.

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, conversou várias vezes com Matteo Renzi, o líder do Partido Democrático (PD), que também integraria a "grande coalizão" italiana.

Se nenhum cenário concreto se desenhar, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, manterá temporariamente o governo atual primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, de centro-esquerda. A Câmara dos Deputados e o Senado se reunirão em 23 de março para eleger seus dois presidentes. Apenas a partir desta data Mattarella deve iniciar as consultas para a formação do novo governo, que precisará, necessariamente, da maioria no Parlamento.

A Itália aprendeu a viver na incerteza: foram mais de 60 governos desde o início da República, em 1946.